Fotos por toda a colônia | Lizete Rose Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 28 de maio de 1917

Querido filho,

Recebemos sua carta, que nos alegrou bastante.

Aqui estamos todos com saúde e trabalhamos o mais que podemos, mas os serviços não têm fim. Arrancamos feijão, quebramos o milho e engordamos os porcos, dos quais quinze agora estão no chiqueiro. De arroz recolhemos mais de doze quartas em todas as roças. Os outros [vizinhos] que plantaram no cedo tiveram colheitas espetaculares.

Nós estamos passando bem, graças a Deus, e estamos felizes que tu também estejas te saindo bem. Como estás em matéria de dinheiro? Estás precisando? Escreva e mandamos o que pudermos. Aqui nós pouca coisa temos vendido: um porco gordo por 44$000 mil réis e 4 latas de mel por 38$00 mil réis; mas dinheiro ainda temos suficiente.

Do tio Ludvig [Rose] não temos notícia, e não sabemos se está ainda vivo, se foi enforcado, fuzilado ou talvez afogado. O Matias e a senhora Burdes espalharam boatos de que ele fora enforcado nove vezes, mas quem está vivo, vive, e quando eles mencionam o tio Ludi, mencionam também você. O Karklin alardeia por todos os cantos que três redações de jornais alemães foram explodidas: do Deutsche Zeitung für S. Paulo [onde era redator o Ludvig], do Germania e do Diário Alemão – e junto com eles o tio Ludi. O Sr. Zeeberg teria contado parte desta história para o tafoneiro1, assinalando que também o Karlis estaria em má situação, pois teria alugado uma pequena casa e viveria à procura de trabalho na companhia de uns negros. Isso ele teria lido em jornais.

O Fahter2, quando recebeu as fotos do tio Ludi, andou mostrando-as por toda colônia, começando pelo Sr. Butler e terminando pelos estonianos de Orleans. Mencionou também o seu nome, pois também estivestes em São Paulo. Tudo isso causou aqui muita inveja, porquê:
1) O tio Ludi tem uma alta posição;
2) Tu também tiveste alguma vantagem, sendo íntimo do tio.
[Por isso] agora sempre apareces como motivo de conversa.

O Butler está escrevendo cartas para o Father enviar ao Ludi, mas o assunto eu não sei.

Ainda muitas lembranças nossas e as bênçãos de Deus, do Papai de da Mamãe3.

* * *

1. Tafoneiro. Moleiro, aquele mói grãos de cereais (na tafona/moinho) para fazer farinha.
2. Fahter. “Pai”. Seria Jahnis Purim, meu avô, ou o pai do Ludvig (e da autora da carta), Jekabs Rose? Provavelmente o Jekabs Rose, pois o Jahnis Purins não iria pedir para o Prof. Butler escrever nenhuma carta.
3. Do papai e da mamãe. Escrita pela mãe, Lizete Rose Purim.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s