SOBRE A VIDA NO BRASIL E SEUS RESULTADOS | Parte 2/2

por Alexandre Klavin, primeiro pastor a chegar da Letônia para pastorear a Igreja Batista do Rio Novo

 

As pastagens aqui precisam ser plantadas, e aqui são chamadas de “pasto”. Há uma pastagem oriunda da mata que não resiste ao rigor do inverno, mas o “pasto” plantado permanece verde o ano todo. É uma pastagem alta, de folhas largas, que é arrancada do chão e em seguida [plantada], após aberto um furo na terra com auxilio de um bastão de madeira. A muda é plantada e após seis meses o chão está coberto por um tapete verde. No Brasil tanto o proprietário quanto o empresário trabalham devagar quanto podem.Bovinos, equinos e suínos são confinados na pastagem cercada, dispensando um pastor ou vigia.

Estradas aqui não há se você mesmo não fizer em sua colônia. Uma estrada grande, cheia de curvas, foi construída pelo governo que percorre toda a colônia, perpassando as colônias umas pelo meio, outras pela margem. Em todos os lugares, a cavalo. Os letos mais ricos possuem animais de tração.

Quando um proprietário possui entre 6 e 7 “purvietas” [NOTA: Entre 2.4 e 2.8 alqueires] de plantações e outra 6-7 “purvietas” de pastagens, pode manter 2-3 cavalos, 10-12 vacas, 50-60 suínos, 100 galinhas e 4-5 pessoas; durante o ano pode juntar 400-500 mil réis e dar-se por satisfeito.

No Brasil progride-se depressa, porém com grandes dificuldades. Aqui eles são felizes, pelo menos os que estão dispostos a fazer tudo sozinhos, porque contratar pessoas é muito difícil: os brasileiros ou mori (?) não produzem nada.

As moças letas que preferem ser empregadas domésticas conseguem nas cidades boas colocações e percebem 15 rublos mensais [45$000,000 – Quarenta e cinco mil réis].

No Brasil tanto o proprietário quanto o empresário trabalham devagar quanto podem, e ainda afirmam que “há tempo que chega”. Jovens com alguma especialização logo estão com dinheiro. Aqui em Rio Novo temos diversos profissionais. Ainda não temos alfaiate e sapateiro.

Rio Novo é a maior colônia leta. Aqui podemos desenvolver a agricultura e também a pecuária. Aqui se produz de tudo. Realmente não há tanto calor. Já possuímos igreja e escola.

 

Alexandre Klavin, 1900
Publicado no Majas Viesis (O Visitador do Lar) de 14 de abril de 1901
Traduzido por Valfredo Eduardo Purim
Notas por V.A.Purim

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