1898: A primeira visita de um pastor leto à Colônia | Parte 2/3

As primeiras famílias de letos deixaram a Letônia para o Brasil em abril de 1890; nos anos seguintes foram seguidas por muitas outras. Jahnis Inkis (leia sobre ele aqui) foi o primeiro pastor enviado da Letônia para conhecer a colônia do Rio Novo, em 1898. Apresentamos, em três partes das quais esta é a segunda, as porções do seu relatório de visita pertinentes à história dos letos de Rio Novo.

 

Como eram pacíficos e brandos a dupla de bovinos que puxavam o carro de duas rodas, em parte carregando, em parte puxando. Em Orleans a casa da direção e sua fornecedora, tão conhecida dos letos. Aqui eles recebiam abastecimento de todos os víveres quando, no começo, suas plantações não haviam sido colhidas. «Até agora barracos cercados de lama; aqui atrás das porteiras florescem rosas.»De Orleans, dois caminhos: um para o Rio Pinheiros, uma colônia de italianos, e o outro para Rio Novo, dos letos.

Na manhã seguinte nossos patrícios, todos simpáticos, nos oferecem um cavalo encilhado, e se preferir uma mula para montaria. Cavalgamos à margem de um engenho de açúcar dos italianos. O engenho de açúcar é assim: uma área plana coberta, as moendas, rolos de madeira movidas a força animal que espremem as canas. O caldo resultante é aquecido num grande tacho onde é apurado ate o ponto de melaço. Após o esfriamento o açúcar decanta-se no fundo e após a secagem apresenta um aspecto de areia de cor amarelo escuro.

Vemos a primeira residência de letos na beira do caminho, à esquerda, pertence ao recém-chegado (ustdvinskietim?) Birin. O riozinho que nos separa o caminho chama-se Rio Novo, o mesmo que deu o nome a Colônia dos Letos. O primeiro colono que lá residiu foi o pastor Balodis, fundador desta colônia de letos…

O centro da colônia ainda é bastante longe. Agora temos que subir uma alta montanha. Ao chegar ao topo, ouvimos forte estrondo e vemos uma grande e branca queda d´água que cai de alta ribanceira. Ao lado vemos uma serraria. Ela pertence a alemães, três irmãos, dos quais dois são casados com letas. Junto à serraria há também um moinho. Nós (…?) através do Rio Novo alemão…

Percorremos um trecho dentro da mata, ao sair vemos uma área beneficiada, um tortuoso vale a nossa frente.

Agora as construções são diferentes, casas pequenas de madeira com telhados de madeira lascada, janelas com vidraças brilhantes. Cercas ao redor das casas, que separam a frente das pastagens. Até agora tínhamos visto barracos cercados de lama e porcas com leitões em frente às portas, mas aqui atrás das porteiras florescem rosas. Das casas nos faz lembrar algo visto e conhecido. É o Rio Novo dos letos.

Aqui vivem os nossos patrícios, aqui eles se esforçaram e trabalharam, penetraram nas matas, construíram casas, abriram caminhos, construíram pontes na mata bruta. Onde só os bugios urravam e outros macacos pulavam pelos galhos das árvores, agora encontramos pessoas vivendo: pastagens verdes e cercadas, pomares com laranjeiras e pessegueiros, plantações de milho e cana de açúcar.

Certamente não são todos que prosperaram igualmente. A alguns as terras não são tão férteis, trabalhos atrasados por motivos de saúde, por falta de conhecimento sobre o cultivo. Seja como for, quase todos afirmam ter mais alimento do que na terra natal. Até repousar se pode, quando se quiser.

(continua)

Por Janis Inkis

Publicado no Majas Viesis (O Visitador do Lar) 1898, números 46-48 (inicio do registro no n° 45). Traduzido por V. A. Purim. Cortesia de Brigita Tamuza.

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