As portas estão abertas e é a minha grande oportunidade. | De Carlos Leiman para Reynaldo Purim – 1923 -

Paranaguá 7 de agosto de 1923

Querido Reinhold

Saudações

Recebi a tua carta e junto também as cópias dos hinos. Obrigado!  Inteiramente triste e até deprimido lembrando ter perdido mais esta Chautauqua, [Acampamento anual dos Batistas no Rio de Janeiro] perdi, mas não tinha outro jeito. Agora trabalho na Escola da Igreja, na Igreja e ainda visito mais duas. Trabalho demais. De um modo geral está tudo bem pelo menos temos paz porquê o grande  agitador foi embora, mas os planos dele continuam. Ele quer me tirar daqui e mandar embora. Eu até pensava que ele fosse conseguir antes do que eu fosse por minha conta. Eu estou esperando autorização da “Junta Estadoal” para transferir-me para Laguna ou em qualquer cidade vizinha, longe destes pretensos governadores mandões. Agora é o José Cascão que está fazendo tudo para ser reconhecido como reverendo e começar a mandar. Para tanto tenta indispor as minhas Igrejas e mesmo o Deter contra mim, mas não sei quão longe ele irá. Mas de qualquer modo é desagradável esta campanha. O Marques não deixou saudades e ninguém mais fala nele. O Abrahão está a chamar e levar pessoas daqui para Ponta Grossa.

Estive em Rio Branco e Porto União. Eles estão indo bem, o que faz falta é um obreiro local para um trabalho contínuo.

No Rio Novo não tenho ido. Quem sabe depois de toda essa propaganda eu consiga ir, talvez lá pelo fim de setembro.

Os Klavim de Rio Novo escreveram e pedem para ir visitá-los. Parece que eles lá naquela Igreja estão no fundo do vale. Fazem muitas festas com muito café e bolos para comer e nos intervalos, remoendo alguma divergência. De verdade como eles estão por lá eu não sei porquê quase ninguém me escreve com vai naquele universo.

Aqui o jornal, “O Baptista”, sai uma vez por mês. Já há uns dois ou 3 números atrás não tenho visto e não tenho muito interesse.

Estive pensando e estou convencido que o meu campo de trabalho é no Estado de Santa Catarina. Espero até o fim do ano mudar para lá (se conseguir concordância para tal) As coisas tem mudado e está claro o que eu devo fazer. As portas estão abertas e é a minha grande oportunidade.

Você também poderia começar lá. Seria melhor de que em qualquer outro lugar. Eu sugiro Florianópolis, abrir uma escola e começar o trabalho. Ou não acha?  Com o Deter é muito fácil tratar e assim sair de perto daqueles agitadores.

No Brasil agora está grassando aquela antiga praga; o nacionalismo. Existem lutas entre os missionários e as igrejas. Em Santa Catarina não existe ainda esta bobagem e está livre disso. Aqui no Paraná já existem alguns destes extremistas. Como vai este movimento por lá? Soube que alguns seminaristas de Pernambuco foram mandados de volta. No Rio também surgiram muitos destes radicais?

 O que falam da próxima Convenção?

 Qual é o grupo que vai ficar na direção da Convenção?

Os missionários ou os “nacionalistas”?  Espero ter respondido a todas as tuas perguntas e elaborado novas questões. Se escreveres respondendo, eu continuarei.

Até breve

Com uma fraternal saudação

Teu

Carlos Leiman

 

…aproveitei a oportunidade para ficar doente. | De Carlos Leiman para Reynaldo Purim – 1922

Paranaguá 15 novembro de 1922

Caro Reinhold
Saudações.

Já há muito tempo que nada sei de você. Também não tenho escrito, pois estou sempre viajando.

Agora o motor do barco pifou e aproveitei a oportunidade de ficar doente. Então esta semana estou em casa.

Na segunda dia 20 estarei viajando para Tubarão, Mãe Luzia, Rio Novo, Rio Branco, Porto União e então para casa outra vez onde espero estar de volta lá pelos dias 10 ou 12 de dezembro.

O Inkis ainda está na Escola? O Sprogis ainda quer morrer pelas bobagens do Inkis? Onde vais passar as férias? Veja só como eu sou curioso.

No dia 11 de janeiro vai se reunir a Convenção aqui em Curityba. Estamos aguardando alguns doutores do Colégio lá do Rio.

E o João “Gigante ” [João Klava] não vai viajar para casa? Finalmente.
Saudações.
Carlos Leiman

Published in: on 2012/04/11 at 22:30  Deixe um Comentário  
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Ontem foi o teu Aniversário, então hoje… | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1922

Rio Novo 10 de janeiro de 1922

Querido Reinohld! –

Ontem foi o teu aniversário, então hoje à noite estou enviando votos de muita alegria, saúde e muitas bênçãos de Deus neste próximo ano.

A tua carta escrita no dia 20 de dezembro recebi exatamente na noite do dia do ano velho, quando estávamos na Igreja para esperar o Ano Novo. Acho que esta carta por conter “Boas Festas” para todos, ela veio mais rápida e chegou a tempo e hora para fazer valerem estes votos. Por tudo isso obrigado.

Os jornais recebi no dia 26, junto ao Festa do Pinheirinho na Igreja. No dia 28 mandei uma carta para você, que provavelmente já há tenhas recebido. Nesta carta, eu mencionei que na próxima eu iria descrever as Festas do Natal e do Ano Novo, mas não sei onde começar e onde terminar e o que mais poderia te interessar. Mas vou ter que começar pela ordem:

Primeiramente que aqueles grandes e ilustres homens que viriam, não puderam vir. Vieram somente o Arthurs Leiman e o irmão Willis Leiman com a esposa Lucija com os dois pequenos Waldis e o Aleksis. O Fritz também queria vir junto, mas devido agora ao rigor das exigências da fronteira argentina, quais exigem passes que são demorados para se conseguir. –

O Butler também não pode vir. Amanhã começam as Conferências da Convenção em Rio Branco [Entre Massaranduba e Guaramirim] e se o Inkis tiver chegado ao Brasil, talvez eles venham ambos até o Rio Novo.

No primeiro dia do Natal o tempo estava nublado e começou a chover forte e ainda com vento e assim as pessoas que estavam dirigindo-se para a Igreja apanharam bastante chuva. O Culto foi dirigido pelo Arthur. [ Leiman] A noite foi à vez das apresentações da Mocidade e ai também o Arthur contou fatos e experiências de sua vida. Uma das coisas que ele contou que na escola dele, eles são ao todos 20, 9 homens e 2 moças que são escalados para trabalho como preparar (cozinhar) o café da manhã. O que geram os conflitos é que todo mundo quer saber mais que qualquer um e ninguém realmente sabe coisa alguma. Ai entra a esposa do Diretor e determina a reconciliação dos grandes mestres da cozinha [no Seminário em Buenos Ayres].

No dia da segunda Festa de Natal [dia 26] o tempo amanheceu maravilhoso, não estava fazendo calor e soprava uma brisa fresca, como fosse inverno. A reunião da manhã foi dirigida pelo Willis [Leiman]. À noite, o trabalho junto ao Pinheirinho, era por conta da Escola Dominical e quem dirigiu foi o Karlos Zeeberg. Foram apresentadas poesias, mensagens, Hinos, Apresentação do Conjunto Musical de Instrumentos e ainda outras apresentações de conjuntos de violinos e harmonium e detalhar tudo isso não seria possível, mas o resto você pode imaginar.

Na noite do ano velho ou último dia do ano teve a Noite de Vigília [Culto de Ação de Graças pelas bençãos do ano findo] e quem dirigiu foi o Willis. Ele contou sobre o seu trabalho no Rio Grande do Sul e o Arthurs do trabalho dele na Argentina. Cantou o Coro principal e também o Coro dos Jovens e foram declamadas diversas poesias e o tempo passou rápido e ainda foi servidos um lauto lanche com café com leite, pães, bolachas e logo chegou há meia noite e junto com ela o Ano Novo de 1922.

E como já era dia Primeiro de Janeiro e também como Dia Santo, deveríamos, depois de horas estar de volta na Igreja. Este dia pela manhã foi excepcionalmente quente e de tarde veio uma tempestade com direito a ventos, raios e trovões. O Arthurs passou este dia conosco como nosso hóspede.

A semana seguinte foi a semana de Oração. Estes cultos foram dirigidos alternadamente pelo Arthur e pelo Willis. O tempo nesta semana foi muito chuvoso e as estradas muito lamacentas. Assim mesmo a freqüência das pessoas foi muito boa. Esta semana o tempo está bom, pelo menos estes dois dias não choveu nenhuma vez, apesar de que nas costas da Serras, hoje à tarde ainda choveu.
O Willis está semana vai embora, mas a Lucija [Lucia Ochs a primeira esposa do Willis] ainda vai continuar por aqui.

Eles, os Leiman, não conseguem chegar a um acordo sobre o que devem fazer. Nenhum deles quer morar aqui, com os velhos.

O Willis quer que venda tudo isso ai e que vão morar com ele no Rio Grande.

O Fritz quer também que vendam tudo e ele quer levar ambos os velhos para a Argentina. O velho não quer vender e a senhora Leiman ainda está doente se bem que esteja melhor e já consiga caminhar até a cozinha, mas fazer algo ela não pode.

Bem agora chega, já é tarde e o sono não me deixa em paz, ele está persistentemente me incomodando e ainda o cansaço de estar o dia inteiro capinando a nova coivara que devido estas chuvas o mato e as ervas daninhas estão muito desenvolvidas.

Escreva-me uma longa carta como foram estes períodos de lutas. Onde você vai passar o dia das Férias.

Ainda muitas lembranças de todos. Olga.
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…muito admirado e pasmo pôr que lá não mais estou. | De Fritz Janowski para Reynaldo Purim

Rio Branco 20 de novembro de 1921
[(Rio Branco era uma das colônias Letas entre Bananal hoje Guaramirim e Massaranduba)].

Querido amigo!

Paz e alegria e a mais completa boa vontade no Senhor seja a Sua parte.

Pode ser que eu tenha sido esquecido ou estranho para você. Terá passado um ano que não tenho escrito para você. O entendimento e o tempo sempre estão tomados de modo que não tive condições de voltar a escrever. Como tu bem sabes que quando um caminho está tomado pelo mato fica mais difícil pôr ele caminhar. Seja como for eu nunca esqueci nos meus pensamentos, aqueles momentos que compartilhei lá no Seminário. E fico muito admirado e pasmo pôr que lá não mais estou.

Na minha vida aconteceram grandes mudanças. Neste ano no dia 24 de março eu selei a minha vida em matrimônio com a jovem irmã Ermínia Liepin, então eu já estou na classe dos maduros ou velhos. Estamos morando em Rio Branco com o pai.

Para o ano que vem estamos aguardando o irmão Carlos Leiman como Missionário para cidade de Joinville e cidades vizinhas. Em 11 a 15 de janeiro de 1922 reunirá aqui em Rio Branco a Assembléia da Convenção Batista Paraná / Sta. Catarina.
Esperamos a sua presença por aqui.

Com muitas lembranças e a certeza de um próximo reencontro.

Teu Fritz Janowski.

Enfrentou a noite enluarada | Olga Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 30 de junho de 1920

Querido Reini!

Primeiramente receba muitas lembranças de todos de casa. Recebi a tua carta escrita no dia 3 de junho no dia 23 de junho. Obrigada! Já há tempo esperávamos cartas suas, fazia mais de um mês que não tínhamos recebido noticias.

Você ainda não recebeu a carta que mandei no dia 30 de abril? No mesmo envelope seguiram as cartas dos estudantes [Lúcia e Artur], e isso realmente é um grande prejuízo. Mandei no dia 25 de maio a resposta à tua escrita em 6 de maio, e ainda em 18 de junho uma longa carta com muitas notícias dos últimos acontecimentos daqui.

Agora as cartas tem ido e vindo muito devagar, talvez seja porque está chovendo pouco e deve ter pouca água no mar, talvez esteja vazio. Hoje está chovendo um pouco; se vai aumentar o nível eu não sei, porque chuva de verdade faz tempo que não tem havido. Às vezes chuvisca um pouquinho só para fazer lama, mas aumentar o nível dos rios, isso não acontece faz tempo. Quem também reclama da falta de água é o tafoneiro, que não tem água para moer o milho por falta de água.

Geadas tem havido algumas fortes, lá para baixo perto de Orleans, que atingiram bananeiras, canas de açúcar e mesmo as capoeiras. Mas aqui em casa a geada não matou nada: só duas manhãs amanheceram com alguma geada nas baixadas. A semana passada e esta também está bastante quente, como se fosse verão. Vamos ver quanto tempo isto vai continuar.

Agora estamos colhendo milho e despejando no paiol.

Hoje é o último dia de aula para os estudantes. No mês que vem parece que não vai haver aula, pois ainda não se sabe quem vai ser o novo professor. O Butler no mês que vem vai para Curityba e agora está tomando todas as providências para a sua saída e a viagem. Está mandando arrumar todas as cercas porque quando chegar a Kate, que vai morar na casa dele, naturalmente não vai cuidar disso.

Este cuidado é para que o gado dele não fuja e vá estragar as plantações dos vizinhos. Os animais ele não pretende vender ainda, porque depois de um ano ele pretende voltar.

Agora a igreja de Rio Novo vai ficar novamente sem pastor. Quem virá para o lugar dele? Domingo atrasado o Onofre esteve em Rio Novo e apresentou uma proposta ao comitê de sucessão pastoral: que escrevessem para o missionário Deter dizendo que, uma vez que o Butler está indo para Curitiba, ele mandasse o pastor Manoel Verginio para morar em Laguna e dar atendimento a todas igrejas da região. O Comitê inicialmente aprovou de pronto essa ideia, mas para infelicidade de alguns. Aqueles da corrente contrária já começaram reclamar, pois a igreja naturalmente terá que colaborar com o seu sustento e outras despesas. Essa corrente começou a fazer barulho, mesmo sem ter chovido nada.

Durante a convenção alguns já tinham ouvido reclamações pelos cantos e beiras de estrada, mas agora esses começaram a gritar e reclamar, dizendo que quem concordou com os acordos e as novas normas que os cumpram. Dizem que o Butler quando traduzia [as conferências e deliberações] para a língua leta teria omitido partes, mas a realidade é que aqui tem gente que só entende o que interessa e aquilo com que concordam.

Quem maior barulho faz e mais reclama é o velho Karklin, que disse que se tudo não for traduzido para o leto ele e outras pessoas de idade não entenderam nada. Esse sabichão, que lê todos jornais do país e conhece de cor e salteado todas as leis, para nós foi longe demais.

Na sessão regular do domingo passado houve uma tentativa de homologação das resoluções havidas durante a convenção. Tinha chegado “O Baptista” de Curitiba com as atas e novos estatutos decididos nesta última convenção, e o comitê queria aproveitar ainda a estada do Butler para normatizar todos estes assuntos.

O primeiro assunto foi a “Grande Campanha”, cujo alvo é 22$500 por ano, que acharam demais. O Karklin concordou com o dízimo, pois quem ganha mais, mais terá que dar. Ele disse que os outros dão o dízimo, mas a igreja manda para qualquer Sociedade Missionária que ninguém conhece e nem dá satisfação. Ele estava bastante descontrolado. Disse que ele alguns anos dá mais que o dízimo, que é 10%; ele teria dado 14% e até 15%, e insistiu que sabia calcular muito bem.

O Butler reconduziu a ordem e explicou que o dinheiro não vai faltar desde que não se gaste com supérfluos e assemelhados. Se os rionovenses fizerem tudo o que é preciso, não haverá problema nem de falta de dinheiro. O [jornal] Baptista deverá vir de graça, mas é solicitada uma coleta para ajudar na sua divulgação, e se a coleta for muito pequena será enviada uma oferta do caixa da igreja.

Será também feita uma coleta para a Sociedade Missionária da Letônia e depois enviada para o Deter, que providenciará seu envio para o seu destino. Isto irritou ainda mais o Karklin, pois assim ele não foi reconhecido como grande defensor da pátria de nascimento. Ele não tem razão, porque daquelas coletas anteriores ninguém viu comprovante de que o dinheiro tenha chegado lá. Também aquela campanha para os refugiados de guerra, ninguém sabe onde o dinheiro ficou. O Karklin, em vez de mandar direto para a Letônia, mandou para França e eles de lá mandariam para a Letônia. Mas o caso é que, se realmente mandaram, foi para o governo da Letônia, assim os refugiados não viram a cor do dinheiro.

O Lamberts do “Drauga Balsis” ["A voz do amigo", jornal da denominação batista na Letônia] recomendava que todas doações para os necessitados fossem mandadas para as igrejas de lá, ou endereços pessoais de gente conhecida, senão o governo de lá fica com tudo.

Mas não foi desta vez que chegaram a acertar tudo, e parte ficou para outra vez.

Algumas damas que cantam no coro faz quase um mês que não puderam se apresentar no “palco”, pois estão com os tímpanos partidos; o Watsons tinha falado tão alto que parecia que estivesse falando para uma platéia de surdos, e também na orquestra os rapazes tinham tocado muito alto. Parece que elas não sabem dos inúmeros elogios que os componentes da orquestra receberam dos pastores por terem apresentado músicas maravilhosas de hinos usados na América do Norte e na Inglaterra.

Bem, quem ainda não estava com os tímpanos partidos deve ter ficado na noite do domingo passado quando, por ocasião daquele trabalho especial dos jovens, a orquestra tocou o hino 400 do Cantor: “Igreja, alerta”. Eles ouviram este hino pela primeira vez apresentado pelos mensageiros da Convenção e em seguida o Butler ensinou a cantar, e agora os rapazes da orquestra já tocaram com a maior vibração. Se o Deter estivesse aqui e tivesse ouvido, teria ficado muito satisfeito que o pessoal gostou da música que eles cantaram.

Há uma pequena parte da igreja que nada contra a corrente e diz que não vai quebrar a língua aos pedaços para cantar em brasileiro. Algumas dessas pessoas em outros tempos já tinham cantado em brasileiro, mas agora a roda girou para trás.

O Roberto [Klavin] conseguiu por sorte terminar o trabalho e voltar para casa para as conferências, e colaborou intensamente para o sucesso dos trabalhos. Agora ele está construindo uma fábrica de farinha de mandioca no Rio Larangeiras e o Arnoldo Karklim estava trabalhando para ele como ajudante, mas logo no início trabalhou com tanto entusiasmo que fez um corte no pé e com isso parece que bastou.

Por que o [Fritz] Jankowiski não voltou para o seminário este ano? Aqui, apesar de inquirido, ele não deu uma resposta clara. Já na primeira noite o Leimans quis saber por que e qual a razão pela qual ele não voltou a estudar este ano. Ele respondeu que este ano as circunstâncias não tinham sido favoráveis, mas que no próximo se as coisas mudarem ele irá de novo.

O que ele tem escrito para você sobre o Rio Novo, dizendo que encontrou tudo bem diferente do que imaginava, e que as pessoas que ele conhecia por nome e informações também não eram bem assim. O Karlis Ignausku, que tinha estado em Rio Novo, tinha contado que os Karklis eram pessoas muito enérgicas, mas ele não pôde observar essa
energia, embora o velho seja realmente um tipo enérgico.

Você poderia transcrever as impressões de viagem dele sobre o Rio Novo e o que ele viu de bom ou diferente. Esta semana o Arthur recebeu uma longa carta dele escrita no dia 5 de junho. Ele tinha conseguido chegar em casa no dia 4 de junho. Tinha saído daqui de Orleans no dia 26 e no dia 30 pegaram o “Max” de Laguna até Desterro [Florianópolis] e na segunda-feira a noite pegaram o “Anna” até Itajay. De lá o Looks foi a pé, beirando o mar até em casa.

Mas ele [Fritz Jankowiski] ainda queria conhecer Blumenau e então pegou um naviozinho até lá. De lá ele iria pegar uma carroça para ir até em casa, mas não deu certo encontrar as ditas carroças, então enfrentou a noite enluarada com a mala e bagagem nas costas, como se fosse um mascate, e depois de doze horas de marcha chegou a Rio Branco.

Parou primeiro na casa dos pais e da irmã, que encontrou quieta e vazia. Já na casa dele encontrou cheia de gente. Tinha chegado o Waltauris de seu Castelo da Felicidade que é Porto União. Aqui ele já tinha falado da possibilidade de quando ele voltasse este estivesse lá pela casa dele. O pai dele não estava em casa porque ficou doente no dia 31 de maio e viajou de trem para Rio Negro para se tratar com médico.

Os outros que saíram da Convenção ficaram retidos cinco dias em Imbituba esperando navio.

Bem, hoje chega. Vou esperar uma longa carta sua. Como se passaram os seus dias livres? Foi algum outro leto para a “Chautauqua”? Os, jornais, vais continuar nos mandar? Nós só recebemos um pacote e faz muito tempo. Este ano eles voltarão de mandar de cortesia o “Drauga Balss”?

Muitas lembranças de todos nós aqui.

Olga

A luz da lamparina tão fraca | Roberto Klavin a Reynaldo Purim

12 de junho de 1920, Invernada

Querido amigo!

A tua carta escrita no Rio de Janeiro recebi quando voltei para casa de Mãe Luzia no fim de abril. Fiquei só dois dias em casa, pois fui trabalhar em outro serviço no Rio Larangeiras. Lá pensei que tivesse oportunidade de responder para você, mas com tanto serviço e tantas complicações e a luz da lamparina tão fraca não é nada de prático — não é possível fazer, e o que pode resultar disso é prejudicar a visão.

Ah! Como gostaria de estar em casa para estudar com boa luz as lições da Escola Dominical, ler os jornais e aprontar-me para a Convenção e as Conferências que estavam chegando bem perto.

O período que passei em Mãe Luzia foi mais de três meses, e aproveitei para conhecer o povo leto de lá e seus costumes. Porém nada importante existe por lá. Os “homens espirituais” [pentecostais] continuam a sua atividade por lá e sempre indo em frente.. Eu não fui ver nenhuma vez.

Descobri também que os rapazes letos, malandros, têm feito muita molecagem [com os pentecostais], por exemplo: aberto furos no forro da casa onde eles se reúnem, trancado as portas por fora e aberto as portas quase arrancando das dobradiças. Numa oportunidade em que os “fiéis” estavam em grande êxtase e pulando descontroladamente, esses meninos entraram jogando pimenta moída no pilão, acertando em diversas pessoas e na esposa do Karlos Amdermann. Jogaram direto na boca, e aí pode imaginar o que aconteceu…

Em outra ocasião os brasileiros e italianos começaram a apedrejar a casa do Anderman, quebrando muitas telhas. Se os letos não tivessem dado o mau exemplo esses outros provavelmente não teriam tido também este mau comportamento.

O Emilio Andermann, no começo de maio, viajou para Nova Odessa para morar com o André Leeknin, e logo depois da Convenção o João Klava foi para lá também.

Os participantes da Convenção do Paraná ficaram aqui muito pouco tempo, pois chegaram na segunda-feira e no sábado foram embora. Os de Rio Branco ficaram mais uma semana e também foram embora.

As Conferências se desenrolaram muito bem. Para nós no Rio Novo está começando um tempo muito triste, pois o nosso pastor vai deixar daqui um mês o Rio Novo e vai embora para Curityba. Como vai ser depois que ele for embora somente o futuro poderá mostrar.

Desta vez só tenho notícias tristes e nenhuma alegre. Terminando, receba muitas lembranças de seu amigo

Roberto Klavin

Eu não teria esta chance | Artur Purim a Reynaldo Purim

Rio Novo, 9-6-20

Querido irmão!!

A tua carta tenho recebido e desta vez eu quero ser meio parecido com “marginal” e alguma coisa vou imprimir.

Eu estou passando bem. O tempo está magnífico e bastante quente. Frio de verdade este ano ainda não houve. Eu teria muito o que escrever, mas esta noite não vai sair muita coisa.

Recentemente consegui crescer mais um palmo de estatura, porque tive de ir a cavalo à cidade para recepcionar as importantes visitas [da convenção batista]; se você tivesse em casa naturalmente eu não teria esta chance.

Agora vou descrever quantos foram os visitantes que estiveram aqui nesse período de “guerra”. No primeiro dia, logo no começo da tarde, chegou o Fritz, que ficou na maior parte do tempo aqui em casa. Foi o Roberto [Klavin] quem o trouxe. Nesse dia também chegou o Edmundo e depois chegou o Leiman, e nesse dia foi só.

Na outra noite chegou aqui a Valija Steckert. Na quarta-feira o Fritz, o Deter e a esposa e o Watson foram até a casa dos Leiman a fim de conhecer e desfrutar de novas e belas paisagens. Na quinta-feira o Fritz esteve na casa dos Butler, e passaram o dia em nossa casa o Roberto, o Leiman e senhora e ainda a Marta Klavin, e ficaram até a noite. O Roberto e o Leiman dormiram a tarde inteira, pois o Roberto desde sábado tinha todas as noites ido dormir depois da meia-noite e corrido muito, e por isso o sono estava incomodando por demais. Nessa noite estiveram lá em casa o Pedro Looks e a Marta Klavin.

Na sexta-feira antes do culto passou aqui em casa uns 10 minutos o Watsons, e logo foi para a igreja; terminados os trabalhos, depois do almoço, eles e muitos outros foram embora para Orleans. O Fritz também foi junto e chegou de volta depois da meia-noite trazendo o [cavalo] Prinzi dos Leiman, no qual o hóspede dele tinha ido até a cidade. No sábado pela manhã ele foi montado no Prinz até a casa dos Leiman para devolver o animal, e lá ficou até domingo pela manhã.

No domingo depois do culto o Fritz e o Loks foram junto com os Klavin até a casa deles, onde passaram a tarde e logo à noite voltaram à igreja para o programa de apresentações. Nas oitavas de Pentecostes [terceiro dia de Pentecostes] eles programavam ir até Mãe Luzia, mas quando chegaram em Orleans souberam que na quinta-feira sairia um navio de Laguna, assim poderiam viajar logo; além disso o tempo se apresentava nublado com possibilidade de chuva, então voltaram para casa no Rio Novo. Então na quarta-feira tive que levar os hóspedes para Orleans, e eles tomaram o trem do meio-dia, sem que tivessem oportunidade de conhecer Mãe Luzia. [embora] todas as [demais] partes já tivessem vasculhado.

Na semana passada recebi uma carta do Fritz, escrita no sábado, que conta que o navio não tinha chegado antes como era esperado, e eles tiveram que ficar esperando e pagando hotel em Laguna. Poderiam muito bem ter ido conhecer Mãe Luzia e teria sobrado tempo.

Bem por hoje chega. Você pode me enviar mais “cantores” [hinários], pois aqueles já foram vendidos e tenho outros encomendados.

Escreva bastante. Você tem bastante laranjas para chupar? Você poderia mandar sementes de “mamonas” [talvez "mamões"] pois lá no alto do morro não devem ser prejudicados pelas geadas.

Ainda lembranças do Papa, Mama, Luzija e do

Arthur

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