…e em um só dia pode-se experimentar todos os climas das quatro estações| De Lucia Purim para Reynaldo Purim -1923-

Rio Novo 19 de Agosto

[Deve ser 1923]

Querido irmãozinho! Saudações!

Primeiramente envio-te muitas lembranças, minhas.

Hoje está chovendo muito por isso estou escrevendo uma carta para ti, porque a última carta que recebemos de você foi uma em abril para mim e outra em maio para a Olga e para essas as respostas nós já mandamos no dia 29 de junho acompanhado com um para de meias de lã. Mas resposta, tua nenhuma. Aqueles jornais que sempre você mandava não temos recebido e não sei se despachou mesmo ou perderam-se pelo caminho.

Não entendo porque ninguém escreve, por exemplo, a Selma [Klavin] e o Victors [Staviarski] não têm escrito uma linha sequer, nem para nós nem para os outros parentes deles. Não sabemos se vocês estão doentes ou com preguiça mesmo.

Aqui tem muita gente doente com influenza e pode ser que você também esteja de cama.

Aqui tem muita gente de cama, mas nenhum de nós ainda se entregou.. É possível que esta doença seja causada pela irregularidade do tempo, frio, quente, chuva, vento e em um só dia pode-se experimentar todos os climas das 4 estações.

No dia 10 de julho tivemos uma grande ventania, tão forte que a gente não podia andar em sentido contrário ao vento e parecia que o mundo ia acabar derrubando tudo. Duraram dois dias, estes ventos muito loucos, e depois vieram as grandes geadas. Estas geadas mataram tudo, o que encontraram pela frente. Depois vieram 3 semanas de tempo bom, mas continuou um frio terrível. Bem agora as chuvas chegaram, mas não na intensidade que antes e tudo começou a brotar e ficar verde, pois a primavera está chegando. A grama está começando a se renovar nos pastos que até a pouco era um cinza amarelado como resultado das grandes geadas.

O milho nós colhemos em 3 semanas. Começamos no dia 9 de julho e terminamos dia 28. Quanto rendeu eu ainda não calculei. Foram trazidas mais de 30 carradas que já estão no paiol. Este ano não usamos cavalos para trazer porque não temos nenhum menino pequeno para dirigir os animais.

Agora é mais fácil usar o carro de bois com o Barroso e o Branco na canga eles trazem 6 cargas de uma só vez e ainda o passeio de carro na volta.

A cana de açúcar também já cortamos e moemos. Estas este ano não cresceram direito. O vento derrubou muito e depois ainda a geada matou tudo. Este ano em tudo rendeu 3 tachos, mas ninguém sabe por que não dava ponto de açúcar. Podia ferver o tempo que quisesse, quase começar a queimar, mas de ponto de açúcar, nada. Só puxa-puxa [Ora puxa-puxa é puxa puxa. Ao ser descarregado o tacho com uma carga de açúcar já pronta o mesmo ainda tinha uma pequena quantidade de melado fervendo grudado nas paredes do tacho de cobre. Ai era solta por gravidade outra carga de garapa fria no tacho quente, então aquele melado era desgrudado com uma concha feita de cuia de um porongo. Aquilo era a delicia chamada puxa-puxa]

e melado-forno. [Melado era tirado um pouco antes do ponto do açúcar e este era usado na alimentação humana.O outro era o melado do cocho, que era o resíduo que escorria do açúcar]

Agora estamos numa grande comilança de melado. Quem sabe você também queira comprar algumas latas de melado. Está muito doce e pode ser usado para adoçar o café e também muito bom para ser passado no pão. Se você quiser experimentar e só vir para cá. A explicação técnica porque não deu açúcar e somente melado foi que a cana usada tinha sido apanhada e morta pela geada.

No dia 29 agosto vai ser comemorado o dia de Ação de Graças mais conhecido como Festa da Colheita. Se quiseres poderás vir para a festa, mas não esqueça de trazer uma mensagem ou uma poesia para apresentar no programa. Também podes trazer um hino para ser cantado em solo. Vais ganhar café com leite acompanhado com pão doce, bolos e bolachas quais não podem faltar em uma Festa da Igreja, tendo mais coisas ou menos isso sempre tem.

Na igreja tudo corre na monótona mesmice. Estávamos esperando o Vilis [Leiman], mas já soubemos que ele não vem mais. O motivo eu não posso afirmar.

Bem agora chega. Se você, alguma vez, tivesse escrito tanto, teria sido muito bom e ainda por cima você só escreve de um lado só do papel.

Como tu estás passando? Estás com saúde? O que estás fazendo? Lá também vocês tiveram muito frio e geadas?

Ainda uma coisa: você quando esteve aqui me prometeu uma receita para fabricar gelo, mas não cumpriu o prometido. Por favor, cumpra o que prometeu agora.

Todos estão dormindo e roncando. Tenho que ir também. Mui amáveis lembranças de todos. Lúcia

 

E como eles esperaram você lá no Rio de Janeiro, | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1923 -

Rodeio do Assucar 20 de junho de 1923

 

Querido Reini: Saudações!

 

Então agora tenho que começar a responder a tua carta escrita no dia 25 de maio, qual há mais de uma semana já está comigo. Muito obrigada. A tua carta escrita no dia 30 de abril não chegou e é bem provável que tenha se perdido por ai.. O que escrever eu tenho muita coisa, o problema é com que devo começar e onde terminar.

 

Na carta passada eu te convidei para vir ajudar fazer farinha de mandioca, então a chuva foi pouca e também tu não vieste então para as tuas festas também não iremos. Entre as guloseimas que você oferece estão o feijão, arroz e a farinha, quais nós aqui temos e bastante para comer a vontade e é provável que os nossos sejam melhores e ainda com a vantagem que não é necessário pagar. Aqui a farinha e o feijão estão com os preços muito altos e estes nós temos o suficiente. A farinha vale 13$000 a 14$000, a saca e o feijão está a 16$000. Feijão nós não temos para vender, mas somente para o gasto. Esta safra nós plantamos pouco porque elas dão muito trabalho e a gente não consegue fazer tudo. Este ano foi muito ruim para o feijão, pois no dia 13 de maio começou soprar um vento muito frio e nas manhãs dos dias 14 e 15 de maio amanheceram brancos com fortes geadas e quem tivesse o feijão ainda verde ficou inteiramente destruído. Para onde se olhasse estava tudo branco. Nos outros anos nunca as geadas aconteceram tão cedo. Este ano a primeira foi no dia 9 de maio, mas esta foi pequena.

Os profetas de plantão fizeram as suas previsões que indicavam um inverno muito rigoroso neste ano, mas parece que eles andaram falhando. Pois depois deste dia não me lembro um só dia que não estivesse chovendo ou pelo menos nublado. Nenhum dia depois das geadas amanheceu com tempo bom e o que tem chovido faz muito tempo que não tinha visto tempo igual. Desde a semana passada nem por uma hora apareceu o sol. Logo depois da Festa do Verão [Pentecostes] naquela semana houve as grandes inundações. Choveu duas noites e dois dias sem parar e os rios tornaram-se assustadores. Na ponte da Estrada de Ferro em Orleans faltou ½ metro d’água para chegar no nível dos trilhos da Estrada de Ferro. Na casa do Grüntall lá perto da Estação Ferroviária [Este bairro chamava-se Campos Elíseos] a água chegou ao nível das janelas e a ponte do final do Rio Novo [Na foz do Rio Novo] a água levou embora. Não era possível chegar em Orleans. Também a viagem de trem para Laguna ficou prejudicada, pois a linha férrea ficou interrompida em dois ou três lugares. A locomotiva que estava aqui em cima levava os passageiros e as cargas até depois da Estação de Pedras Grandes e daí um trecho a pé, em seguida tomava-se outro trem, outro trecho e assim por diante e na volta vice versa. Muitos prejuízos também para os tafoneiros que tiveram os seus açudes e represas destruídos pela força das águas. Até aqui no nosso pequeno riozinho ficou tão cheio que a noite a gente escutava o urro lá de casa. Por pouco a nossa represa também não foi embora. Cercas inteiras foram arrastadas, que nem os palanques ficaram. Nós além de mantermos a eclusa totalmente aberta e ainda tendo retirado mais algumas tábuas para facilitar a fúria da correnteza parecia que ela ia embora. Na noite do dia 24 a chuva mais parecia um dilúvio  e o ronco da água no rio dava até medo. O Arthurs [Purim]  enfrentando a noite escura e tenebrosa, foi até o açude que estava transbordando com uma lâmina de mais de 1 metro d água. Ele se aproximou, o mais que pode e conseguiu despregar mais algumas tábuas aliviando assim a pressão. Mais tarde no meio da noite a chuva amainou salvando assim o nosso pequeno açude. Na outra semana  repetiram-se os mesmos temporais e senão maiores foram pelo menos iguais. Mas assim mesmo chove sem parar. Hoje amanheceu um sol forte e quente  e agora chove novamente e imagine só a tremenda lamaceira que está tudo por aqui que chega nos deixar desanimados [deprimidos] porque o feijão e o milho estão apodrecendo nas roças e este ano vai dar menos. O preço já está a 10$000 a saca e no ano passado quando nós precisávamos comprar um pouco de milho em espigas custava 4$000 e logo que os brasileiros souberam que nós estávamos comprando vieram oferecer a 3$000, mas este ano ninguém tem nada para oferecer. A farinha de mandioca no ano passado estava a 5$000 a 6$000 a saca, mas chegando para o fim do ano já passou para 10$000 e agora estão já estão pagando mais de 15$000. Para o lado de Mãe Luzia também todas colheitas foram perdidas devido a estas grandes inundações. Nós este ano já fizemos 24 sacas de farinha de mandioca e temos muitas roças de mandioca mais velhas de 3 anos para arrancar. Até semana passada estávamos com o engenho em funcionamento, mas tivemos que parar porque sem sol não conseguimos secar o polvilho e os cochos estão todos cheios de polvilho molhado aguardando o sol para secar. Estas mandiocas mais velhas dão muito polvilho. Agora estamos emprestando o Engenho para os vizinhos brasileiros. Todos que tem alguma mandioca querem é fazer farinha. Os Klavim fizeram a farinha deles na época das grandes inundações e rendeu 35 sacas. Até o Jurka veio de Nova Odessa para ajudar e foi aquela festa. Já foi embora na semana passada e com ele o Harrys do Augusto Felberg, pois o Frantzis do Limor [Lövenstein] tinha mandado dinheiro para a passagem e ele precisa gente para trabalhar para ele em S.P.

Na semana passada foi construída a nova ponte na foz do Rio Novo.[Esta ponte fica na barra do Rio Novo um pouco antes deste rio entrar no Rio Tubarão, bem próximo ao antigo “paredão” que nada tem com o Paredão onde estão as esculturas do Zéca Diabo.] Os colonos queriam que o governo pagasse, mas qual nada.  Tiveram os próprios colonos com ajuda dos donos das Vendas de Orleans entrar com a mão de obra, cimento, ferro, madeiras, pregos etc. e fazer tudo sem ajuda nenhuma do governo. Desta vez fizeram com as ferragens chumbadas tanto no concreto como nas madeiras e tem certeza que inundação nenhuma vai conseguir levar esta nova ponte.

Nós te convidamos para vir para a primeira festa das músicas, mas nada, parece que tens esquecido ou desaprendido tocar o violino. Foram apresentadas músicas de todas variedades: foram tocados instrumentos de sopro, harmoniun, violas e violinos, guitarras e até cítaras. Todos coros cantaram; primeiro foi o coro da Igreja, depois o coro dos Jovens, o coro dos Homens, e o coro das vozes Femininas. Depois o quarteto de vozes masculinas com o Osvald, [Auras] Emils, [Anderman] Aleksis, [Klavin] e o Jahnis [Seeberg]. Marcou muito, agradou mesmo foi um solo pelo Aleksis acompanhado pelo Emils no harmonium. O Emils também se sobressai no violino e toca muito diferentemente dos rapazes daqui. O tempo, aquele dia, estava maravilhoso e veio muita gente. Havia visitantes de todas partes inclusive de Mãe Luzia. Quem dirigiu foi o Emils e o estilo foi bem segundo o capricho da senhora Anderman, isto é do modo que ela aprecia. Todos gostaram tanto da festa que embora sendo a primeira, espera-se que não seja a única.

 

Pois é, já tenho escrito bastante, entretanto não seria necessário, pois seria suficiente colocar as nove páginas que chegaram do “deserto”, [Palma, Varpa, Tupã SP] do tio Jehkabs, da prima Alma e a terceira carta da prima Lilija. Demora bem um meio dia para ler e assimilar todas as informações trazidas nestas cartas. Eles tem recebido todas as nossas cartas e logo se apressaram-se em responder. A Lilija é muito corajosa, pois conta tudo como realmente é e assim mostrando toda a verdade. Gente como ela é difícil encontrar por aqui.

 E como eles esperaram você lá no Rio de Janeiro, pois sabiam que ainda estavas lá. Ficaram atentas para ver se alguma pessoa tinha vindo que estaria perguntando pelos Purens, mas ninguém. Ficaram muito decepcionados e é com os corações muito tristes e pesados, o navio saiu da barra do Rio de Janeiro em direção de São Paulo noutro dia pela manhã. Quando chegaram em São Paulo souberam que nos morávamos longe ao sul em Rio Novo. Mas onde era esse Rio Novo elas não sabiam. As meninas quando saíram da Europa tinham como único interesse era vir para junto dos parentes e do “deserto” nada queriam saber. Mas assim mesmo ficaram maravilhadas com os magníficos parques cheios de muitas palmeiras e outras coisas lindas na cidade de São Paulo. Mas depois da longa viagem a chegada em Sapezal, [Estação da Alta Sorocabana, perto de Paraguassu Paulista] a mata espessa, a abandonada estação da estrada de ferro, os sujos casebres e tão desagradáveis a vista habitados pelos brasileiros relaxados e em seguida o longo e tortuoso e péssimo caminho para a Colônia. Foi demais…  Vieram as lágrimas em profusão… Quando chegaram derrubaram a mata da área comum e três semanas puseram fogo na coivara e agora o milho já está madurando na roça.. Também plantaram repolhos, nabos, batatas, mamões e bananas. A Lilija pergunta para a Lucija para que ela escreveu se aqui no Rio Novo tem bananas e mamões. E se tem rosas e georginas [ dálias etc]. Parece que eles já tiveram a chance de provar bananas alguma vez. Agora eles estão roçando as matas e os agrimensores estão a fazer o sorteio para cada um saber qual vai ser a sua gleba definitiva.. A Alma também comenta que o ambiente é bastante opressivo em uma época que na Letônia é primavera e a natureza lá explode em flores e a Lakstigala [Lakstigala – Pequeno pássaro típico da Letônia – Espécie de rouxinol] canta aquelas melodias maravilhosos enchendo o ar de alegria, aqui ela com a foice na mão, abafada dentro da mata fica a ouvir o marulhar desafinado dos milhares de papagaios. Mesmo para o Jehkabs, a história está mudando e se pudesse cairia fora, mas ai esbarra no problema da falta de dinheiro. Ele pergunta o tamanho da nossa colônia que era dos Leimann. Porque eles ao todo são 9 pessoas. O Tio, a Tia, a Alma, a Lilija, a Melania e o Teovils. A pequena Valentine com os seus cinco anos de idade faleceu antes da Páscoa. Ainda tem o sogro dele o Peteris Sagers e [Conforme informação da D. Melania Purens Minka, as malas do Sr. Pedro Sagers e de sua filha Vilma foram roubadas durante a viagem para o Brasil. Continham muitas roupas boas, jóias e muitos itens de estimação. Nenhuma informação foi conseguida sobre o seu paradeiro] com sua irmã [A D. Melania que foi testemunha ocular, pois veio no mesmo navio, também discorda da informação de teria vindo uma irmã do Sr. Pedro Sagers. Eram 9 pessoas com a menina que veio a falecer] e com a sua filha Vilma que tem 19 anos. Agora tu sabes quantos são os nossos parentes naquele “deserto”.

 

O sogro dele o Sr. Sagers tinha casas e propriedades na Letônia e tendo vendido deve ter usado o dinheiro para as despesas da viagem da Letônia para Hamburgo onde permaneceram 5 dias e de lá para Paris e daí para Cheburgo onde tomaram o navio. A Lilija fez a viagem razoavelmente boa, mas a Alma passou os 19 dias, deitada.. Bem acho que por hoje chega. Não poderei mesmo descrever tudo. Nenhum deles tem escrito para você? Opa eu ia me esquecendo!

 

Gostaria que descobrisse quem são os letos que moram a mais tempo aqui no Brasil que tem falado com a Lilija que aqui nós somos muito ricos mesmo e todos tem feito boas escolas. Não sabia que éramos ricos e nem que tivéssemos estudado em boas escolas. Logo que eles chegaram ao Brasil e ainda não tinham recebido nenhuma carta nossa, chegaram a conclusão que nós nada queríamos  com os parentes pobres. Descubra quem soltou este boato..

 

Do Karlos [Leiman] recebi uma carta agora mesmo. Ele não vira para cá agora. Diz que lá o pessoal vive muito doente e chove muito. Ele vai viajar para Rio Branco.

 

Bem eu sei que terás dificuldade de ler esta tão longa carta, mas não fique procurando erros, pois deverá achar, pois eu não tenho muito tempo para escrever. Com saudações espero uma carta tão longa quanto esta. Olga.

Escrito na lateral

A sim! Como tudo passa tão rápido. Quando comecei a imprimir esta carta também, comecei a tecer um par de meias de lã. Lembre-se que aqui não temos aquelas imensas máquinas a vapor que são usadas nas grandes cidades. Aqui tudo tem que ser feito na mão, mas para a tua sorte, ficaram prontas junto e então que sigam a viagem juntas. Estamos com temor que você congele como um Tarkans, [?]  Bem agora lá haverá grandes festas, mas daqui a algumas semanas você terá férias, então escreva bem devagar uma longa carta que eu estou aqui aguardando.

 

…estamos quase todos sãos. | De Lucia e Olga Purim para Reynaldo Purim – 1923 –

Rodeio do Assucar   8 de junho ( de 1923)

 

Querido irmãozinho!!

 

A tua carta escrita no dia 16 de maio recebi no dia 29. Por ela muito obrigada. Eu já poderia ter respondido mais rápido, mas na semana passada ninguém de nós foi para a cidade e assim eu não escrevi. Você escreve que nenhuma carta de casa tens recebido então é provável que a longa carta que escrevi e mandei no dia 24 de abril tenha se perdido. É uma pena porque era uma carta realmente longa, pois eu escrevi duas folhas cheias e a Olga também escreveu outras 2. Se realmente sumiu estão o prejuízo foi muito grande, pois não descrevemos sobre todos os pastores e outras pessoas que aqui vivem e despachamos outra carta no dia 8 de maio com 3 folhas dentro escritas por mim e pelo Arturs.

 

Agora estamos suficientemente bem e estamos quase todos sãos. Algumas semanas atrás o Paps e o Arthurs ficaram de cama e na semana passada a Olga ficou de cama com influenza, pois agora muita gente está com esta doença e é forte que a pessoa é obrigada ir para cama mesmo e a dor de cabeça é muito forte e muitos vômitos. Em Orleans muitas crianças têm morrido com esta doença. Eu ainda não caí na cama mesmo porquê eu não tenho tempo e sempre tem muito trabalho para ser feito, mas boa mesmo, eu não estou não porquê não tenho vontade de comer e sempre está faltando alguma coisa e ainda os meus pés estão sempre gelados. À noite eu calço dois pares de meias de lã para então poder trabalhar, senão eu fico gelada.

Esta semana o tempo está bom e muito frio, todas as manhãs amanhece branco de geadas. Nos lugares mais baixos as primeiras geadas aconteceram no dia 14 de maio. Nos dias que antecederam choveu muito forte e no dia 13 de maio começou a soprar um forte vento do lado das Serras e no outro dia já estava limpo e frio. Este inverno está sendo muito chuvoso e quando fica um, pouco nublado já começa chover.

A Lucija foi para a roça então eu  vou pegar esta carta e terminar.

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 A “Festa do verão” [Pentecostes] este ano foi tão diferente como acho que nunca houve. Começou a chover na Sexta feira e naquele Sábado o dia inteiro e ainda choveu forte aquele Domingo o dia inteiro e nas Oitavas [2ª feira] estava nublado e a tarde começou a limpar e era neste dia que a Mocidade tinha a Festa da Música ou a festa dos Hinos de Louvor. Nesta Festa não teve muita gente porque as estradas estavam realmente intransitáveis. O programa não foi longo. Quem dirigiu foi o Oskar [Oskar Karp – Pai do João Karp casado com a Ruth Karkle, da Marta casada com Oswaldo Paegle e de um outro filho dele que mora em São João da Boa Vista em S.P. que não lembro o nome.].

 Porquê o atual dirigente da mocidade não pôde participar de sua organização. Na festa da Ascensão do Senhor houve uma festa para as crianças, [Salmu Swehtki - Falta traduzir] e quem os dirigiu foi o Seeberg, àquele dia sim, o tempo estava bom.

Aqueles remédios que você pediu nós vamos mandar na próxima vez, apesar de nos termos bastante, o problema é que com este tempo não é possível secar o suficiente e o tempo agora está que não seca nada.[Anzerina]. Quando nós as mandarmos também vamos escrever o modo de preparar. Dizem que no alto das Serras esta planta viceja sem qualquer plantação ou cuidado.

Tens encontrado o Fredy Stekert? A Aldona Balod [Alda Balod mais tarde casou com o meu tio Otávio Fernandes] faz bastante tempo que já foi para o Rio de Janeiro e ela está morando com a Erna Grünfeldt. A Aldona escreveu para Natalim [Não foi possível identificar este personagem] que ela é a Erna de vez em quando encontra os jovens letos do Seminário. Aqui corre um boato que a esposa do Fredy fugiu. Quando o encontrares, pergunte se realmente era esposa dele. A Selminha [Selma Klavin] quando esteve aqui contou maldosamente que a grande maioria dos rapazes que estão fazendo o Seminário aproveitando os estudos mais em conta e depois casam e vão plantar batatas. Parece que só ela não conseguiu capturar nenhum deles. Ela diz que sempre eles dizem que tem muito trabalho, mas só na Primeira Igreja do Rio ficam sentados 10 a 12 pastores que não fazem nada em lugar nenhum, alguns tem alguma vontade e ainda saem para pregar, mas não são grande coisa.

A Lúcia está muito preocupada porque você não mandou a fotografia sua tirada na apresentação do seu Coro. É para mandar como lembrança do dia do nome dela, [O dia do nome para os letos é tão importante como o Aniversário da pessoa. Ex.João dia 24 de junho] ela promete que em troca vai escrever para o teu pessoal denunciando o dia teu aniversário. Ai não vai adiantar nem tomar remédio nem usar emplastros.

Você pede que nós escrevamos longas cartas descrevendo tudo minuciosamente, [Sikhi un smalki - Sikhi seria minuciosamente, tim tim por tim tim e Smalki seria modo mais elaborado - Não estou satisfeito com a tradução.], mas onde nos vamos buscar todas estas notícias e porquê mesmo os nossos dedos são grosseiros de tanto trabalho, então te contenta com a nossa letra e o nosso modo rude de escrever.

Lembranças de todos de casa. Olga

 

[PS. Esta carta foi começada pela Lúcia e terminada pela Olga]

Lembra que nós escrevemos para você ir até o navio para dizer …….| De Olga Purim para Reynaldo Purim- 1923

Rio Novo 26 de abril de 1923

 

Querido Reini: Saudações!

 

A tua carta escrita no dia 2 de abril já há algumas semanas atrás e como a minha tinha ido muito depressa e a tua resposta também veio rápida, porque tu foste bem malandro e não esperaste o outro coelho para matar os dois com uma cajadada e ainda porque a Luzija logo escreveu uma carta  por isso não me apressei em responder. Outro motivo, que estava esperando cartas dos nossos outros parentes para matar os meus dois coelhos, mas não tive esta sorte e não sei se eu terei.

Nós graças ao bom Deus estamos todos bem. O tempo na maior parte está lindo e quando chove, é pouco e agora nós estamos esperando chuva para aumentar a água do rio para poder começar fazer a farinha de mandioca. Esta semana nós queríamos começar, mas como o arroz estava maduro e os passarinhos estavam atacando muito, tivemos que colher logo e outros serviços, também temos bastante.

No mês que vem são os Klavim que estarão fazendo farinha no nosso engenho. Ai você poderá apreciar toda a nossa tecnologia.  E ainda no dia 21 de maio haverá a Festa da Música que a Luzija já te convidou. Festas, farinha de mandioca recém saída do forno, laranjas começando a madurar. Poderás andar a cavalo, andar de carro de boi.

Quando os teus automóveis chegarão a esta altura?

Aqui no Rio Novo nada de novo tem acontecido. Há pouco tempo o Auras foi a Ijuy buscar a mãe da mulher dele (sogra) para trazer para cá porquê o pai (sogro) morreu e o outro filho que mora lá é um desmiolado e ela já velha, fica sem ninguém para ajudá-la.

O Alfreds Leepkaln viajou para São Paulo já há algum tempo para ver as terras como são por lá. Se achar melhor ele vai mudar para lá. Mas ainda não voltou, mas já tem gente dizendo que ele está gostando, mas também a passeio na casa de parentes, quem não vai gostar, pois ele está com os Burschis que são parentes dos Leepkaln.

Nós recentemente recebemos cartas do Karlos e do Fritz. O Karlis promete este ano visitar-nos. O Fritz escreveu que o Arthurs tinha sido ordenado pastor e que no dia 10 de abril ele está planejando casar com quem ele não disse, mas, nós há muito tempo sabíamos, pois o Karlis já tinha contado que ele o Arthurs estaria noivo da Victorija Ochs e a própria senhora Ochs contava para todos que quisessem saber, que a Victorija iria já junto com o Fritz. Ela já estava contando esta vantagem quando o Arthurs ainda estava aqui.

O velho Leiman lá na Argentina está cada vês mais gordo, só que não tem forças. Passa os dia inteiros tocando violino e cantando.

 

Após longa espera também chegou uma carta do “deserto” esta eu estou mandando anexa, pois seria muito trabalhoso transcrevê-la. Você sempre pergunta por eles e agora poderás ficar sabendo que lá não é nenhum paraíso. Na primeira carta eles quase nada escreveram, somente dizendo que está tudo bem. Mas agora que já estão instalados naquele “deserto” viram que não era bem assim. É muito triste saber que em relação ao sustento e habitação eles estão passando tão mal. E como será depois que a terra estar dividida e cada um terá que fazer o seu próprio rancho e quanto de terra que cada um vai receber? E as construções que agora eles fizeram decerto vão ficar para a Administração.

Eu e a Luzija na semana passada escrevemos longas cartas explicando porquê não mandamos nenhuma carta para a Latvia porquê achávamos que eles não estavam mais lá. Lembra que nós escrevemos para você ir até o navio para dizer que eles viessem para cá para o Rio Novo. Se você tivesse ido e não deixado recado aos dois Sprogis e o Inkis que foram ao navio e não disseram palavra alguma, para eles virem para cá.

Se eles viriam ou não é outra coisa. Se você tivesse ido pelos menos teria os visto e conversado com eles. O Paps determinou que escrevessem que quando arranjassem dinheiro suficiente viessem embora para o Rio Novo. Não tenho muitas esperanças que isso aconteça. Quando tiveres lido bem, aquela carta deles que eu te estou mandando junto então, por favor, nos devolva porque a Luzija tem uma caixinha onde ela guarda todas em ordem, qual está quase cheia.

Bem agora chega. Você quando escreve usa somente um lado do papel. Você nada escreve como vive etc. Ainda lembranças de todos Olga.

 

Acho que aquele lugar espera por você. | De Carlos Leiman para Reynaldo Purim – 1923

Paranaguá 29 de março 1923

Querido Reini

Saudações!

A tua grande carta recebi junto com os demais folhetos e programas. Muito obrigado!

Apresso-me a compartilhar a alegria de tua ordenação ao ministério pastoral que será o seu sacerdócio e faço votos que o bom Deus o cubra de suas ricas bênçãos o teu trabalho e que sempre consiga as vitórias até o momento final sejas sempre vencedor!

Por aqui a vida vai correndo pelos mesmos trilhos. Tudo, a mesma coisa. Alguns dias mais quentes. Outros dias chove aquele temporal de chuva grossa. O trabalho sempre é o mesmo. As pessoas são as mesmas e com os mesmos costumes.
Os trabalhos cotidianos aumentam e as forças começam a se desgastar. Por enquanto estou amarrado ao trabalho da escola aqui. Estou pensando em deixá-la, pois acho não ser o meu trabalho principal.
Assim mesmo tenho trabalho demais. O Dr. Marques [?] agora veio para cá e instalou-se para morar aqui em Paranaguá e logo ficou adoentando e um tanto desanimado. O Deter sozinho com suas muletas está construindo o novo templo da Igreja lá em Kuritiba. O Abrahão [Abrahão José de Oliveira pastor e professor muito conhecido na época no Paraná] mudou-se e foi trabalhar em Ponta Grossa. A parte desagradável e que todos querem dar uma de grandes senhores. Com exceção do Deter todos querem ser muito inteligentes e espertos [demais] e todos querem mandar e dirigir, mas pegar no trabalho ai não. Contar vantagens, isto sim. Este foi o motivo de nosso desentendimento com o Abrahão aqui. Ele usou toda a sua inteligência porque queria certas vantagens que a Igreja aqui devido a seu modo arrogante não concordou.

Alguns concordam com o modo de trabalho do Abrahão. O Pastor Butler trata todos muito bem àqueles que o cumprimentam tirando o chapéu. Mas ajudar que é bom não tem ajudado.

O Marques não têm tido muito êxito e oportunidades para mostrar serviço. Ele tem tentado ser duro e manter os seus patrícios na linha dura o que não é nada fácil. Ele não conhece o trabalho. Vai ser muito difícil para ele que nada. Não conhece o sertão, onde a maioria das pessoas vive.

Conselhos ou “combinações” ele não aceita a não ser do Abrahão e ainda assim mesmo se sente humilhado porque ele é o Secretário Correspondente da Convenção e sendo assim é autoridade. O tempo dirá quem tem razão. Gostaria dar a direção da Igreja para ele que é o seu desejo.

Quem sabe por algum ciúme da nossa popularidade. Mas a Igreja não quer e assim então o maior trabalho sobra para mim, sem que eu saiba como e sem o apoio necessário para levar a cabo. O que falta aqui é liderança.

Estou planejando se possível até maio ir até o Rio de Janeiro e também a outros lugares da terra de São Sebastião. Quero ir até a Chautauqua [Era um Acampamento Anual das lideranças das Igrejas Batistas no Rio de Janeiro]. Você não quer clarear os teus pensamentos e vir passar as férias de junho para cá?
Purim – Não sei os teus planos daqui para frente e nem qual o campo de trabalho você vai escolher. Não queria ser palpiteiro, mas simplesmente sugerir um campo muito necessitado que é o Estado de Santa Catharina que espera e faz muito tempo por pessoas que abram novos trabalhos neste Estado. Penso poder conseguir recursos para abrir um trabalho em Florianópolis. – Abrir uma boa escola e assim começar o trabalho. Acho que aquele lugar espera por você.

O Penno prometeu, mas fugiu. O que pensa você. Trabalhar aqui não é nada monótono porque entre estes invejosos, quais nada fazem e não conseguem divisar novas oportunidades. Não quero atrapalhar ninguém aqui. Pensei de ir para Sta. Catharina, mas não queria ir só. Mas, queria um na direção central e eu estaria pronto para ajudar e trabalhar onde fosse mais necessário.

Escreva bastante principalmente sobre este assunto. Do Rio Novo não sei de nada. O Arthurs também foi ordenado e no dia 10 de abril vai ser o casamento dele.
Com sinceras saudações
Vosso
Carlos Leimann

…vigiar aquele boi que gosta de pular as cercas para ir comer milho nas roças. | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1923

Rodeio do Açúcar 21 de março de 1923

Querido Reini:

Primeiro envio votos de muito bons dias e amáveis saudações. Eu igual a você sempre querendo matar dois coelhos com uma cajadada fiquei esperando mais alguma carta para responder duas ao mesmo tempo e como não veio mais nenhuma não vale a pena esperar mais. A tua carta escrita no dia 7 de março, com aquele convite recebi ontem durante a Festa de Aniversário da nossa Igreja. Percebemos que você foi esperto mandando aquele convite para aquela sua festa lá e tão bem calculado que quando a carta chegou a festa já tinha passado longe, para a gente não poder ir.

Você está fazendo como alguns Rio Novenses que fazem festas de casamentos e endereçam e subscrevem os convites, mas não os põem no Correio já. Ai colocam o convite no correio um dia antes. As pessoas recebem o convite em cima da hora e é claro não podem comparecer. Então eles dizem: oh nós os convidamos para o casamento, mas eles são tão orgulhosos que não quiseram vir.

Você não tinha algum aeroplano que nós pudéssemos ir voando, que grande coisa seria. Poucas horas de vôo e nós já estaríamos lá. E noutro dia de manhã estaríamos de volta em casa. Não podemos deixar a casa vazia, sem ninguém durante a noite.

Durante o dia nós temos que vigiar aquele boi que gosta de pular as cercas para ir comer milho nas roças. Também temos que tirar leite das vacas etc. Se nós tivéssemos ido levaríamos uma balde cheia de leite e muitos quilos de manteiga. Assim sim, seria uma grande festa para você. Pena que tudo já passou. Como realmente foram as suas festas?
Naquele dia perto da noite estava muito nublado, brusco e chovia um pouco. Se tivesse sido aqui, aquela festa iria pegar muita lama até a altura dos joelhos.

Ontem foi aqui a Festa de Aniversário da Igreja. O tempo estava maravilhoso. Quem dirigiu foi o Emils. [Emils Anderman]
Tinha muita gente. Cantou o Coro da Igreja, o Coro da Mocidade e o Duplo Quarteto de Homens cantou 3 hinos. Os oradores foram o K.Seebergs, o Wilis Slegmann, o Juris Frischembruder e o G. Auras. Foi realmente uma festa maravilhosa e transcorreu em perfeita paz.

As grandes chuvas amainaram e o nosso riozinho [O rio do Rodeio do Assucar]
está realmente com pouca água. Nós deveríamos estar fazendo farinha de mandioca, mas a água está muito escassa para mover o engenho e tempos atrás quando não precisávamos havia água sobrando.

Dos nossos parentes de São Paulo, nada temos recebido. O Pappa faz tempo que escreveu, mas não temos certeza sem não ficou retida na censura de lá.

O Matiss Frischembruder escreveu de lá contando mil maravilhas. É claro que ele tem que dizer que está tudo muito bem organizado, pois ele está envolvido na mesma sopa.

Segundo ele, do pessoal de Nova Odessa, há muita gente que apóia o Inkis. O Malvess é um deles, que por ser genro do Inkis cuida da carteira do dinheiro comunitário, ainda que pecaminoso. O outro genro o Willis Lustinhs é o responsável pela cozinha comunitária, e assim todos pedaços de parentes tem o seu emprego garantido e eles nunca precisarão jejuar 3 vezes por semana, porque já são perfeitos.

Bem já se vão 3 semanas que eu te mandei uma carta na qual escrevo que o Andreys escreveu lá da Latvia e nós vamos ter que responder. Teremos que dizer que nada sabemos do tio Jekabs e a família que foi para o “deserto “. E se eles não escreverem para ele como estamos passando, nós também nada poderemos fazer.

Você bem que poderia escrever uma carta para o primo Joãosinho. O Andreys perdeu os demais, pois morreram lá de fome na sua fuga da guerra e só ficou o Joãosinho, que não pode continuar os estudos porque não tem dinheiro.

Agora o Joãozinho trabalha numa repartição do Governo da localidade como escrevente. Ele já deve estar bem crescido, pois é bem mais velho que o nosso Arthur.

No Domingo passado recebi uma carta dos Fritz lá da Argentina. Agora todos estão bem, é que a Christine, este doente por dois meses e ele também por um mês, mas agora estão todos bem.

O velho Leimann está cada vez mais gordo e saudável e somente o que atormenta o coitado é a sensação de inutilidade sem ter o que fazer o tempo não passa e quase não tem distração nenhuma e nem outros letos para conversar.

Bem agora chega senão você não vai ter tempo para lê-la.

Onde agora anda o Janka Klava? Ou ele saiu da escola com aquele “passe”? Alguns outros tem escrito que ele foi para a América num navio como servente.

Este ano há muitos estudantes? O Inkis e o Schanis não voltaram atrás? Aqueles letos de Rio Branco continuam lá? Chegaram outros novos de lá?

Não espere matar os dois coelhos com um tiro só. Responda carta por carta que eu estou aguardando. Lembranças dos demais. Olga.

A minha inteligência se torna escassa para administrar esta situação, | De Carlos Leiman para Reynaldo Purim 1923

Paranaguá 15 de março de 1923

Caro Purim

Saudações

Não tenho te escrito mais, também para aos outros não tenho escrito escudando-me na absoluta falta de tempo, na preguiça no ócio e na indolência e também no cansaço total que não me deixa escrever cartas… , pois eu já tenho escrito tantas cartas… Até quando vou ter que escrever mais cartas???.

O tempo aqui está muito quente e chuvoso. Trabalho eu tenho de mãos cheias. 8 Igrejas e uma escola para dirigir e a semana tem só 7 dias. A minha inteligência se torna escassa para administrar esta situação, então como vou tomar conta do demais?

Como você sabe, a minha mudança para Santa Catharina não deu certo. As Igrejas daqui não deixaram sair mesmo. Santa Catharina sem mim. Algumas acho que não me queriam. Faz muito tempo que não recebo nada de lá.

Você já encontrou o Alípio Xavier? [Alípio Xavier Assumpção - Foi pastor, jornalista e escritor no Paraná – A minha sogra Iza Xavier Corrêa era irmã dele. Por parte de minha esposa Edith Xavier Purim, ele era também meu tio.]
Ele conhece a minha vida e a minha luta.

O S. Sprogis e o J.J.Junior ainda estão no Seminário? E o J.Klava? Neste ano há muitos novos seminaristas? Dizem que São Paulo está se enchendo de letos.

Você sabe se seus tios também vieram? Nós aqui ainda estamos vivos graças a Deus.

Almejamos um ano de vitórias em seus estudos e aguardamos notícias destas bandas.
Seu
Carlos Leiman

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