Logo ele vai embora para a sua tão louvada Argentina… | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1922

Rio Novo 9 de fevereiro de 1922

Querido Reini:

Primeiramente te envio muitas amáveis lembranças. – Desta vez eu vou ter que escrever bastante porque devo respostas as duas cartas. A tua carta escrita em 14 de janeiro eu recebi no dia 27 de janeiro, mas devido o tempo de intensas chuvas não respondi, porque o tempo não estava propício para escrita e terminou ficando para quando o tempo melhorasse e na noite de segunda feira dia 6 de fevereiro recebi a outra tua carta escrita no dia 23 de janeiro. Junto com aquelas perfumadas folhas de plantas. Por tudo isso muito obrigado. –

Você mesmo está ficando rico com tantos presentes importantes e onde puseste aquelas flores que ganhaste. Aqui no Rio Novo, qual o pastor que iria ganhar tantos presentes?

Nós estamos passando mais ou menos bem. Somente a chuva é demais este ano. E assim é a vida de qualquer colono que fica diretamente dependente do tempo. Quando é muito seco, nem quando a chuva é demais, não é nada bom. Durante todo o mês de janeiro tivemos dois dias sem chuva. Todos dias ora chuva fina, outros dias chuvas com trovoadas e houve semanas que choveu da manhã à noite e outras vezes as noites inteiras. Todo tempo com os rios imensos e cheios d’água e quantos riozinhos pequenos se transformando em ruidosos ribeirões. Você pode andar em partes baixas ou no alto dos morros, você encontra nascentes em profusão. As estradas estão totalmente cheias de valetas e grandes pedras expostas que a gente não consegue acreditar como a água pode arrancar tantas e tão grandes pedras em pleno leito da estrada. Nesta semana já teve alguns dias com tempo bom, mas hoje a noite já está chovendo novamente.

Por isso, os trabalhos nas roças não estão nada fáceis. As plantas daninhas crescem demais e também não adianta capinar, porque tudo continua a crescer mesmo. A grande maioria já conseguimos capinar. Hoje fomos capinar na Bukowina. Lá à parte roçada queimou bem e não veio tanto mato.

Noutras partes por ai já houve grandes tempestades, mas aqui no nosso terreno, não houve nada. Começamos a plantar o feijão e faltaram 6 litros para uma quarta!

Na semana passada arrancamos ou fizemos a colheita de batata inglesa. Nós poderíamos até dar um saco de batatas para você, se você não tivesse esquecido de como comê-las. As batatas deram excepcionalmente este ano e num pedacinho onde plantamos 4 quartas de semente nós colhemos 13 sacas. Tínhamos também plantado em outro lugar onde também deu, mas não tanto, quanto nesta primeira roça. Estas, nossas batatas, serviriam para vocês grandes cozinheiros, que gostam de pouco trabalho.

Se você estivesse em casa, poderia comer pepinos pela manhã, no almoço e a noite e assim mesmo não daria conta. Ontem nós trouxemos uma carga inteira no cavalo só de pepinos.

As uvas já estão terminando e este ano também foram muito boas. As melancias se não houvera chovido tanto, seriam melhores, no começo elas cresceram bem, mas agora está encharcado demais, mas temos algumas já bem crescidas e daqui uns tempos estarão maduras. Vocês comem melancias nas refeições ou em alguma outra ocasião? Ou você está como o Augusto Klavin lá em Kuritiba que vê melancias à venda por 3$000 e em casa não pagaria nem trezentos réis.

Na semana passada houve em Orleans o funeral do velho Grüntals que faleceu no dia 29 de janeiro e foi enterrado no dia 30

Willis Leiman já viajou no dia 12 de janeiro, mas a Lucija e as crianças ainda ficaram. O Willis não quer mais morar aqui de jeito nenhum. Os velhos por sua vez não querem vender nem sair daqui e assim parece que ainda não conseguiram sair do impasse.

Na quarta feira quando o Willis dirigiu o último culto, logo após houve uma festa de despedida e onde foi feita uma coleta de dinheiro para viagem que rendeu 40$. – O Arthurs disse que não tinha esquecido de você e tinha mandado uma carta logo depois do Ano Novo. Você recebeu esta carta?

Quanto à direção dos trabalhos na Igreja eles sabem se sair muito bem. O Willis você sabe, ele falava devagar, mas agora não fala mais tão devagar e está bem mais gordo que antes. –

O Arthurs continua do mesmo jeito que era antes e quando chegou era mais magro e agora está bem mais gordo. Quanto à comunicação, ele fala como antigamente somente bem mais desembaraçadamente, como deve ser um menino instruído.

Quanto ao cantar eles antigamente, cantavam o tenor e agora eles cantam o baixo.

Quanto ao trabalho na roça eu não sei direito, mas logo que o Willis chegou. Ele e o Arthur num lindo dia foram capinar uma roça de milho, que fica na divisa com os terrenos do Klavin. Mas logo o sol começou a esquentar. Como pessoas instruídas, encostaram os cabos das enxadas num toco de árvore e foram visitar os Klavin. Quando o sol já estava abaixando no poente ai lembraram das enxadas e o que eles vieram fazer e saíram correndo e agarraram com vontade e quando estava escurecendo a roça já estava toda limpa. –

No domingo passado o Arthurs foi visitar o Onofre [O Onofre Regis morava na Estação Barra do Norte ou Braço do Norte] e você não vai acreditar, ele foi a pé. O trem estava atrasado então ele foi andando.

Logo ele vai embora para a sua tão louvada Argentina e por isso tem que se despedir de seus antigos amigos como o Onofre.

O Karlos [Leiman] ainda não apareceu e parece que está morando no Rio Branco. O Rubis [Roberto Klavin] continua mergulhado em seus trabalhos, está desde o Ano Novo trabalhando em Mãe Luzia.

No dia 16 de janeiro chegou também o Butlers, era para ele ir as Conferencias, mas não foi. Ele ficou aqui somente 2 domingos. Ele veio visitar o velho pai dele e tomar outras providências. O velho mora sozinho, com os seus diamantes e agora já pode andar inclusive foi a Igreja algumas vezes. E a Anlise leva a comida. O Butlers não é mais Pastor em Kuritiba por causa do problema de sua voz. Agora somente é professor de uma Escola Superior da cidade e este ano vai mais cuidar de sua saúde. Se de tudo não puder falar tanto, então ele voltaria a morar no Rio Novo.

O Inkis também não pode ir a Rio Branco, mas ainda ele pensa de vir para visitar Sta Catarina e assim os Rionovenses estão convidando para a Festa do Jubileu dos 30 Anos da Igreja. Vamos ver se ele vem mesmo.

Bem agora chega mesmo. Com um tiro matei dois coelhos. Para que não seja demais leia uma página por dia senão vai dar nos nervos. Os Prospectos este ano não vais mandar? Os Jornais não tens mandado? Estarei esperando longa resposta.

Lembranças de todos outros de casa.

Com uma Boa Noite! Olga.
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…com tempestades de verão com grandes trovoadas | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo 28 de dezembro de 1921

Querido Reini. Saudações!

Esta noite resolvi escrever uma carta para você.

Fiquei pensado que talvez esteja esperando alguma carta porque na última no começo de dezembro, eu prometi que logo escreveria. Este logo ou breve e já se acumularam às novas notícias e já começaram a ficar velhas e ai não vale a pena escrever, mas como você está de férias tudo bem.

Nesta semana no dia 26 de Dezembro no segundo dia de Natal teve festa com pinheirinho na Igreja e foi também quando recebi aquele grande pacote com jornais. Se eles tivessem chegado antes dos dias das Festas teria tempo de ler todos eles e, mas agora que as festas acabaram e os dias de trabalho voltaram quando a gente chega em casa à noite logo vem o sono, porque a gente está muito cansada. Ainda desta vez a quantidade de jornais foi realmente maior que outras vezes.

A fotografia dos seminaristas desta vez ficou realmente bonita e chegou perfeita e não como as outras vezes. Você em que poderia ter escrito de algum modo os nomes dos seus colegas a fim da gente pode saber quem eles são. Você realmente está tão magro como aparece na fotografia? Se tivesse vindo passar as férias em casa poderia ter engordado um pouco, pois laranjas ainda tem muitas nas árvores. Nós, graças a Deus estamos passando bem. O tempo está bom e muito quente, mas chove com as tempestades de verão com grandes trovoadas.

O milho faz tempo que terminamos de plantar, pois este ano com as roçadas e queimadas terminaram tudo muito bem. Plantamos 13 ½ quartas de semente de milho, 8 mil mudas de mandioca, 1 mil mudas de aipim e agora temos cuidar de capinar, pois as ervas daninhas, também crescem rápido.

Na carta passada eu escrevi que a senhora Leiman estava muito doente e a Mamma mora com ela lá, mas agora no sábado do Natal ela veio para casa, pois ela ficou um pouquinho melhor. Mas, muitas vezes, ela esteve perto do fim. No dia 20 chegou o Arthur Leiman, mas ele está assim magro, que eu cheguei à conclusão que vocês todos que querem ser doutores ficam assim. A viagem dele foi muito lenta, pois ele saiu de Buenos Aires no dia 7 de dezembro onde ele passou pelo pente fino da alfândega, na fronteira. Ele está triste que você não está em casa que se estivesse sairiam grandes negócios, pois dos antigos amigos somente dele, só resta o Roberto, [Klavin], mas ele o achou tão mudado que daquelas amizades antigas, pouco ou nada sobrou. Quando ele foi visitá-lo, foi difícil iniciar qualquer conversação. O que teria feito para que o Rubites [Roberto Klavin] tenha mudado tanto. Será que teria esquecido das antigas amizades ou teria começado a tocar na tuba dos Zeeberg. Talvez algumas lendas inventadas pela oposição o tenham abalado, pois as línguas continuam deletérias.

Aqui pela ordem tem chegado à notícia que o Inkis foi para os Estados Unidos estudar para sair doutor de lá. Eu acho que ele quer sair na frente e tem receio que pôr aqui alguém o alcance.

No sábado a noite chegou o Willis Leiman e sua esposa Lucia e mais as crianças. Estes realmente vieram como que apagar incêndio. Há pouco tempo o senhor Leiman escreveu que a mãe está muito doente e que era bem provável que não mais se levantaria. A senhora Leiman sempre dizia para o marido para que escrevesse para a Luzija que viajasse para cá, pois quando ela morrer tudo iria como que a falência e ai não adiantaria mais nada. O senhor Leiman escreveu e no momento que receberam a carta que deixaram tão perturbados que não sabiam o que fazer. Colheram o trigo e guardaram no paiol e pediram que os vizinhos alimentassem os porcos e tirassem o leite das vacas, cuidassem as propriedades em geral e eles saíram em viagem, tão rápido quanto possível. Vieram de trem pelas Serras e não sei de que porto tomaram um navio para Desterro e daí outro para Imbituba e ao todo levaram 5 dias se viagem.[De Ijuí RGS] A pressa toda é que o Willis ainda queria ver a mãe viva e na chegada, quando a mãe estava melhor a alegria foi muito grande. Foi muito bom que eles vieram, pois agora tem mais pessoas para atender, pois a Mamma fazia tempo que estava lá. O Fritz também queria vir com o Arthur, mas não conseguiu passagem.-
Desta vez chega. No Ano Novo vai haver a Festa das Missões então escreverei mais sobre as Festas em geral.

Com lembranças de todos. Olga.

Sobre Roberto Klavin: O Roberto Klavim além de agricultor era carpinteiro construtor de casas, engenhos de açúcar, farinha de mandioca, atafonas que são moinhos de farinha de milho, serrarias etc. Este trabalho exigia cálculos de relação da velocidade x força, para a otimização da energia fornecida pelas primitivas rodas d’água.

O dia do enterro dele, lembrou o dia do casamento dele… | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo 5-9-21
Querido Reynold!

Saúde! Recebi a tua carta escrita no dia 14-8-21 no 26 de agosto. Muito obrigada. Você sempre pede que eu escreva bastante e hoje até que teria, mas tem um grilo que está me atrapalhando a escrita com o seu irritante e insistente canto e se escutar melhor também as rãs estão com o coaxar prevendo chuva.

Semana passada choveu muito, quase demais e fez muito frio. Mas agora está quente outra vez.. Este ano excepcionalmente a primavera chegou bem mais cedo, pois todo mês de agosto já estava quente e mesmo abafado e a última geada foi em 20 de julho. O pessoal está capinando e queimando as roças e está tudo coberto de tanta fumaça como em outros anos acontecia bem mais tarde no mês seguinte. Aqui nas roças estamos terminando de colher o milho e já em seguida estamos a plantar novamente.

Aqui no Rio Novo no mês de agosto foi época de Festas. No dia 17 de agosto uma quarta feira, à noite, foi a Festa da Colheita [Festa de Ação de Graças pela safra colhida]. O tempo estava bom e somente nublado, mas um pouco antes deu uma forte chuva que como foi rápida não chegou a fazer lama nas estradas pois a terra absorveu. Não podia chover mesmo, pois dias antes tinham chegado as grandes e esperadas visitas da grande cidade, o Dr. Luppers e outros não menos importantes como o José Casscão [Cascão] de Paranaguá e o Antônio Ernesto da Silva de São Paulo. Estes tinham estado em Curitiba nas Conferências e o Luppers tinha conseguido que eles viessem junto. Eles fazem tempo que queriam conhecer o Rio Novo. O Onofre que sabia de tudo, também viajou e veio para acompanhar, pois ele sabia quando eles viriam, mas o Antônio Ernesto não ficou muitos dias aqui, isto é somente nas Festas e logo desceu de volta para Orleans e lá organizou diversos cultos e reuniões, todas as noites e no sábado foi embora no sábado, porque não tinha planejado ficar tanto tempo fora de casa e vir tão longe.. O Dr. Lupper e seu companheiro ficaram até o domingo pela manhã, mas a noite já estava em Orleans e ai nós também fomos. Nas noites anteriores nós não fomos, mas os músicos e o coro foram quase todas as noites. Estas reuniões foram muito concorridas tanto é que o sacerdote católico determinou missas extraordinárias e tocava o sino alertando ao povo que não fosse, mas pouco adiantou pois na última reunião tinha mais de 400 pessoas. As reuniões eram feitas no prédio onde era o antigo cinema. O prédio está vazio e parece que faz tempo que não tinha sido usado. Dentro somente as poltronas pois faz tempo que não são feitas apresentações de filmes.

Também tivemos a oportunidade de ouvir o tão afamado solista acompanhado do harmônio, mas não agradou tanto quanto era esperado e é provável que nossos ouvidos não sejam acostumados com apresentações tão artísticas. Na primeira noite o Onofre trouxe ele [o Lupers] aqui em casa e ai ele contou para o Pappa que te conhece da cabeça aos pés e que sabes falar francês, alemão, inglês tanto quanto ele e ainda outras coisas como álgebra etc.

Bem os tempos passaram e depois de uma semana ele viajou até a casa do Onofre e dai para Imbituba.[O Onofre morava na localidade de Braço do Norte também chamada de Barra do Norte, uma Estação da Estrada de Ferro que ia pra Tubarão- Não confundir com a cidade de Braço do Norte hoje que naquele tempo chamava-se Quadro do Norte]

Há pessoas que dizem que depois de muita alegria e festas também vem a tristeza e funerais e agora isso aqui no Rio Novo aconteceu. Eu não gosto nada de escrever sobre funerais, porque as minhas cartas trazendo notícias tristes podem deixar você perturbado.

Bem agora isto aconteceu depois de festas, o funeral. O Oscar Karp voltando da cidade montado em seu cavalo chamou-nos da porteira e informou que noutro dia depois do almoço seria o enterro do Willis Paegle. Que ele tinha morrido às 3 horas da tarde… Parecia incrível, pois ninguém sabia que ele estava doente ou se foi um acidente.

Somente outro dia no cemitério ficamos sabendo que dias antes que ao levantar um peso excessivo de ter havido rompimento nalgum órgão interno. Chamaram o médico, mas este disse que não havia mais esperança e ele não viveria mais. Agora os Auras e os Paegles estão numa tristeza profunda, pois o que a Erna vai fazer com um filho com 2 anos somente, já sozinha.

Nos derradeiros momentos estavam juntos todos os parentes e ele pediu que ninguém chorasse, mas sim que levassem uma vida tal, que permitisse que no céu voltassem a se encontrar.

O dia do enterro dele lembrou o dia do casamento dele que também foi numa tarde de sábado que foi um lindo dia, também após uma semana de chuva. Agora chega, pois o papel acabou. Com saudações Olga
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Colônia Leta de Rio Novo | Carta de Lúcia Purim para Reynaldo Purim – 1921

(sem data)
Querido irmão!
Primeiramente envio muitas lembranças. A tua carta faz tempo que já a recebi. Naqueles dias que os “escrivinhadores imprimiam os seus manuscriptos” eu não tinha tempo.

Agora o tempo se apresenta bom e frio. Ontem e hoje ocorreram grandes geadas. O Rio Novo ficou lindo todo branco. Aqui em casa também tinha, mas não tão forte por causa de ser alto, mas lá para baixo estava lindo. Os inhames e os baraços das batatas doces estão pretos e ressequidos.

Não admires como estou indo com a escrita. Os dedos estão duros de frio, a garganta fechada e doendo nem podendo falar, o nariz escorrendo e todo momento tem que estar assoando e ainda por cima eu machuquei o pé e este está doendo que nem posso mexer. Assim você pode calcular como estou passando. Ainda se eu tivesse uma D. Delphina [Era a administradora do Seminário] como você tem lá, poderia pedir uns remédios.

Você não pode imaginar, que aqui nós temos um novo imigrante e ele nada mais nem menos que o Limors [Lowennstein] que depois de ter ido conhecer 11 cidades, está de volta em busca do resto do dinheiro.

O feijão ainda não está todo “batido”, vai levar mais um dia de serviço para terminar de “bater”. Já colhemos 65 quartas [ para fazer um saco de 60 quilos era preciso 8 quartas ou dois alqueires] com alguma “moinha” [ Impurezas como folhas trituradas pelo manguais e ainda não bem peneirado para separá-las dos grãos].

O arroz também cresceu bonito, mas não tão quanto o dos Klavim que plantaram 2 quartas e colheram quase 30 sacos. Mas essa é uma variedade japonesa nova por aqui e tem a vantagem de crescer bem em qualquer qualidade de terreno.

Você não tem que ficar tão congelado como nós aqui, porque lá é bem mais quente e não tem que andar com os pés descalços e a grande vantagem de ter tantas festas e reuniões para ir. Aqui ninguém faz tanta festa, porque não é moda. Onde você pôs aquelas flores que ganhou naquela festa, quando levou para casa?

Este ano também estás aprendendo violino?

O teu professor também surra os alunos com uma corda como faz o Treimans? Ele sempre diz que a corda que ele usa para usar é forte e por aí você pode imaginar que professor.

Aqueles cantores [hinários] você já comprou? Você poderia mandar uns seis exemplares e não mais porque o povo daqui não canta como o de lá no Rio.

Bem por hoje chega. Pode ser que ao receber esta esteja novamente em período de festas e não tenha tempo nem para ler.

Escreverei novamente quando estiver melhor de saúde. Ainda lembranças de nós todos aqui. Luzija.
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..pois dizem que só tocam danças | de Olga Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo 1 de julho de 1921

Querido Reini: Saudações!!.
A tua carta escrita em 23/6/21 recebi ontem à noite. Muito obrigada! Mas deste heroísmo de matar dois coelhos com um tiro só eu não gostei. Chegaram duas cartas num só envelope. Vou calcular direito para que uma carta indo e logo venha à resposta e assim as cartas venham se encontrado no caminho. Na sua escola que de tudo ensinam, não falaram de métodos e sincronização? Por isso hoje estou escrevendo logo a resposta, senão eu vou demorar a receber cartas suas.

Nós estamos passando bem. Hoje o tempo está seco e frio. Quando na véspera de São João quando você estava escrevendo para mim estava nublado, mas quente.

Noutro dia de São João mesmo, estava um dia lindo e quente. Naquele dia Papai foi passar o dia com os Klavin e eu e a Luzija fomos para os Leiman.

O Arthurs e os demais alunos da Escola Dominical foram convidados para passar o dia na casa do João Seeberg, pois ele festejando o seu dia ou o dia de seu nome. Então pela manhã cada um saiu para o seu lado, mas a noite todos estávamos em casa.

O que você fez no dia de São João? Saiu passear também? [Para os Letos o dia 24 de junho era próprio para piqueniques e passeios]

A semana passada foi quente até sábado quando começou a chover forte com trovoadas que entrou domingo adentro. Chuva tão forte já há tempo que não ocorria e agora já há três dias amanhece lindo dia com fortes geadas. Todo o vale do Rio Novo amanhece branco. Pena que você não possa apreciar estas paisagens maravilhosas.

Agora nós estamos colhendo milho e se o tempo continuar firme logo nós termos com todo milho no paiol. Agora o que falta mais para colher é o da Bukuvina. Quando tem geadas lá, nós não vamos e quando chove o longo caminho através da mata virgem fica muito lamacento. O milho está com espigas muito bonitas e maduraram muito bem.
Enquanto estavam em desenvolvimento este ano não houve temporais que causassem maiores estragos. Agora quando o milho já estava praticamente maduro no dia 15 de junho a noite veio um temporal com vento e trovoadas do lado da serra que em muitos lugares não ficou uma só haste de pé. O vento foi tão forte que até espigas foram arrancadas e agora nós temos que juntar aqui e ali.
No paiol já foram despejadas 150 cargas. [ Como uma carga vinha na cangalha com 2 jacás isso equivale a 300 Jacás]

Agora em Rio Novo vão surgir novos Rockfeleres. Pois a escola voltou a funcionar. Na primeira semana com cinco alunos e agora já tem mais. Pessoas tão inteligentes como as do Rio Novo no mundo existem muito poucas. .

O Luppers ainda não veio e não se sabe quando ele virá.

O Conjunto Instrumental ainda existe, os jovens tocam e os velhos brigam, pois dizem que eles só tocam danças. Na Festa da Mocidade do Ano passado foi tocado o hino 270 do Cantor Cristão e acho que os velhos não sabiam que era do Cantor e foi só reclamações, pior ainda para os velhos, quando os jovens descobriram que este hino também está nos hinários em leto. A tese da dança foi para o brejo.

O Osvaldo Auras ensinou em leto e nas noites das apresentações já foi cantado tanto em leto como em brasileiro. Outras peças musicais novas são mandadas pelo Pastor preto Abraão de Paranaguá.

Você vê, que os nossos “doutores” [ estava se referindo aos irmão dela a Lucia e o Arturs] que escrevem cartas daqui andam esquecidos e não têm escrito mais. Não admira estão envolvidos em altos estudos e não tem tempo para mais nada. [pois estavam freqüentando a escola]

Eles não conseguiram se orientar com tantas novas informações e por isso desta vez você não terá a oportunidade de ver novos “Manuscriptos” e mais que nenhum resultado positivo de caçadas não houve e mais um frio destes não inspira a eles escreverem.

Bem agora chega. Escreva bastante.

Como foi esta fase de lutas? Havia letos nesta campanha?

Você não está precisando de meias de lá? Aquelas que eu mandei na outra vez não estão desgastadas?

O Inkis já chegou ao Brasil?

Não tenho mais nada de Novo. Cultos de Oração estão sendo realizados todas as manhãs.

Ainda lembranças de todos. Que você esteja bem. Viva saudável – Olga.
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O tempo está seco e frio. | De Luzija Purim para Reynaldo Purim – 1921

[Uma carta da Tia Lúcia sem data, mas pelo contexto deve ser outono de....]

Querido irmão!

Primeiramente envio-te muitas lembranças.

Nós estamos passando bem. E penso que também você esteja..

O tempo está seco e frio. Ontem pela manhã lá em baixo perto da casa dos Grikis deu uma pequena geada. Na semana passada teve toda espécie de tempo. Um dia choveu um pouco e na Quinta feira deu uma ventania tremenda, tal qual, por aqui não tinha visto, pois o milho seco foi todo derrubado no chão e é rara a haste que ficou de pé. Logo teremos que começar a colheita do milho.

Você já sabe que o Limors não está mais no Rio Novo? Na cabeça daquele velho deve ter alguma minhoca, que ninguém conseguiu segurar.

O Pranzis com sua mulher não o puderam achar. Com uma pressa maluca, vendeu tudo para um italiano que já está morando na casa velha. Vendeu tudo como estava, roças, porcos, galinhas, vacas e todas os seus móveis e utensílios por 7.000$000. Todos falam que ele vendeu muito barato, porque só das roças o novo dono vai tirar muito dinheiro. E as ferramentas como enxadas, machados e outras mais estão custando uma fortuna..

O novo rico Peter pode começar abrir a sua venda ou bodega. Na parte de cima, o italiano não o deixa mais ficar somente lá na parte de baixo na beira da estrada.
Agora o Limors e o Pranzis viajaram para Kuritiba, para ficar um tempo com a filha e o Paranzis vai aprender alguma profissão.

Nós plantamos 4 feixes de mudas de grama, no mesmo lugar onde já tínhamos plantado, mas em alguns lugares não pegou devido à seca. Aquelas que pegaram estão crescendo bonitas. Nós fomos buscar as mudas lá, onde era a casa do Limors. O italiano dá com a maior boa vontade, quanto nos quisermos.

Logo nós vamos ter que arrancar o feijão, pois o mesmo já está maduro. O feijão do milho nós já batemos 2 quartas.
Em que serviço agora você está trabalhando? Você não tem que cortar a lenha?
Quais as matérias que agora você está estudando?
Quantos são os alunos atualmente? Aqui na escola, não tivemos aula por mais de uma semana. Houve uma folga devido as grandes festas. Hoje estiveram em casa notáveis visitas O Butlers com a Marta.
O Loks também pousou uma noite aqui em casa. Acho que vamos precisar começar a contar quantas visitas nós recebemos aqui, porque são muitos. Alguns vinham dormir durante o dia porque não agüentavam o sono, porque durante a noite ficavam batendo trela por ai.
Bem agora chega.
Muitas lembranças de todos de casa. Luzija

Onde isso vai levar e o que você vai fazer com isso? | De Olga Purim para Reynaldo Purim – 1921

Rio Novo 26 de maio de 1921

Querido Reini! Saudações!

Hoje eu estava com receio, pois já faz duas semanas que recebi a tua carta escrita no dia 29-4-21. Nunca eu deixei uma carta, tanto tempo sem resposta..

O motivo é que para a cidade raras as vezes que a gente vai. Então a gente ia deixando para frente e também os novos escrevinhadores estavam aguardando coisas novas acontecerem, para então escrever, mas como você sabe aqui as novidades são poucas. Bem desta vez vou escrever tudo o que for possível. Isso mesmo.

Você possivelmente não vai achar muita coisa e tempo você não tem muito e sempre deve ter alguma carta pendente para responder. Quando pode achar muito tedioso, mas responda somente o que for importante.. No dia 29-4-21 eu mandei uma carta. Agora já são duas vezes que coincidiu que no dia que você estava escrevendo lá, e eu estava escrevendo cá.

Nós graças a Deus estamos passando bem e faço votos que tu também estejas.

O tempo está muito seco. Outono assim faz tempo, não tem havido como deste ano. A chuva tem sido mínima e há semanas que o tempo permanece limpo a semana inteira, Na outra semana sim, uma noite até que choveu bastante, mas pela manhã estava tudo enxuto, pois um desagradável vento frio soprava intensamente. Este trouxe as primeiras geadas. Noutro dia, lá perto da Igreja já estava com a grama um pouco branca, mas foi por pouco tempo, pois agora já está quente outra vez.

Noutros anos por esta época as geadas, já tinha deixado tudo acinzentado, mas este ano por aqui ainda está tudo verde. No ano passado as folhas verdes da mandioca tinham caído todas e esse ano continuam como estivessem continuando a crescer.

E também as roças de milho este ano estão mais bonitas. Noutros anos quando as chuvas e tempestades derrubavam o milho, muitas espigas apodreciam.

Desta vez foi muito diferente e principalmente daqueles perto da ponte e também mesmo a coivara junto do mato, o milho está um amarelo dourado, firme de pé, pois muito poucas as hastes que estão caídas. Também na coivara da Bukuvina o milho está muito bonito com espigas muito grandes e muito bem maduras devido ao tempo quente e seco. Somente nas duas grotas, na roça junto a mata, mais para o lado de casa, o vento derrubou um pouco, mas ai, já estamos terminando de colher.

Daqui uns dias vamos começar a transportar e jogar dentro do paiol que você conhece bem.

Estamos ainda com muito serviço porque o feijão não está todo arrancado e ainda muito por “bater”. Você escreve que arrancar feijão e quebrar o milho é um serviço leve, mas não está rendendo nada, porque estão muito entrelaçadas com as hastes do milho e ai não é nada fácil. Tudo isto agravado pelo acentuado declive do terreno que você bem conhece, onde estão paus das queimadas anteriores e pedras descem rolando e batem nas canelas da gente.

E você nas ruas planas e limpas do Rio de Janeiro. Claro que lá é muito melhor.

Eu sempre pensei que no Rio de Janeiro as roupas e tecidos seriam mais baratos. Aqui as mercadorias estão muito baratas. Somente a farinha de trigo está a 1$500 o quilo, mas essa a gente não está comprando. Sem ela a gente sobrevive e deixa que custe até 2$000 o kilo.

O açúcar está valendo 7$500 a arroba. A farinha de mandioca a 5$000 a saca. A carne de gado estava a 1$600 o kilo em Orleans. Agora está a 1$200. O toucinho até bem a há pouco tempo estavam pagando a 13$000 a arroba com ossos e tudo. O feijão está a 8$500 a saca.

O arroz que este ano deu de maneira sensacional estão pagando a 6$000 a saca e nas vendas já limpo é vendido a 4$000 a arroba. Nós não temos muito, porque não plantamos muito este ano, mas a qualidade dos grãos está muito bonita.

Os vizinhos que plantaram 2 quartas colheram de 25 a 30 sacas da variedade de casca amarela. Nós este ano não conseguimos esta semente. Outros conseguiram com os poloneses, lá para os lados da Linha Antunes Braga. Esta variedade é muito mais produtiva. No ano que vem vamos deixar de plantar as de cascas brancas e mudar para as de casca amarela, pois além de ser mais produtivo é menos exigente quanto à qualidade do solo.

As roupas aqui são caras, mas não tanto quanto lá que te pediram por um terno de brim 100$000. Aqui na Venda do Pinho, eu vi um brim bonito amarelo como aquele que uma vez você já teve somente mais encorpado do que aquele por 4$000 o metro.. Se você quer um terno completo com colete então 7 metros seriam suficientes que dariam 28$000 e mais botões, linha, forros e tecidos para os bolsos 30$000 então ainda sobraria 70$000 para o alfaiate. Eu e a Mamma estivemos conversando sobre a possibilidade de comprar aqui um tecido bom e mandaríamos já com as calças prontas e o tecido para você mandar fazer o fraque e o colete. Gostaria de saber, quanto isto custaria e é possível que saísse mais barato e assim você poderia guardar o seu rico dinheirinho para as outras coisas, porque as roupas geralmente com o uso diário duram muito pouco.

Tecidos de lã boa, não sei quanto, as mais caras de 18$ a 20$ o metro e aquelas de 10$- 12$ a gente vê que não são grandes coisas. Gostaria que você calculasse direito e me escrevesse, pois quando eu for à cidade, posso avaliar a melhor solução para a sua roupa.

Agora a senhora Leimann no mês de abril mandou duas vezes, alguns pares de meias feitas em casa, para o menino lá na Argentina. Lá elas custam de 5 a 8 pesos. O menino sente muito frio, lá em Buenos Aires. Ele ainda te escreve? Não se pode esperar muito de uma pessoa, que diz que vai muito bem. Frio ele passa porque a cidade dele está mais perto do pólo sul. Este ano ele vai terminar o curso e vai sair de lá pronto “Doutor”.

Você saiu daqui antes e parece que vais demorar a conseguir este título de “Doutor”. Não sei, se vale a pena estudar tanto. O outro cuidou de estudar caligrafia e todas manhãs fazer café para os professores.

Você fica quebrando a cabeça e a língua com a Língua Grega e fica fazendo experiências com microscópios. Onde isso vai levar e o que você vai fazer com isso?

Bem, por hoje chega senão vai ser muita coisa para você ler e eu também preciso ir dormir, pois estou com muito sono.

Pode ser que logo receba alguma carta e ai tenho que escrever outra vez. Logo a Luzija vai imprimir o seu manuscrito. Então eu mandarei na semana que vem porque neste envelope não cabe mais.

Vai também junto uma carta do Arthur.

Com muitas e amáveis lembranças – Olga.

P. S – Junto eu estou mandando duas amostras de tecido, mas parecem que não são muito bons. O branco custa 3$500 e o cinza custa 4$000. Logo vão chegar novos tecidos e eu vou especular mais.

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